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13/06/2013 - 03h53

Navios parados e boas notícias sob a espuma

Fonte: DCI / Paulo Schiff (*)



Os passeios de barco por Santos e Guarujá ganharam uma atração turística adicional nos últimos dias. Trata-se de uma gigantesca frota mercante. Parada no largo, à espera de carregamento. 
 
Neste domingo o número de embarcações nesta situação chegava perto de 90. 
 
Quase dois terços, mais exatamente 58, oficialmente. As outras 30 são outsiders, navios não programados para receber carga que ficam esperando um agendamento cair do céu. 
 
Para se ter uma ideia do que isso representa, a melhor referência está no custo. 
 
Um outsider, tramp, esses que ficam esperando agendamento, custa cerca de US$ 10 mil por dia parado. 
 
Num navio maior, mais moderno, de contêineres, por exemplo, esse custo pode chegar a US$ 50 mil por dia. 
 
Ou seja, cada dia desses derrete mais de US$ 1 milhão nas águas marinhas vizinhas do Porto de Santos. Essa quantia não tem mais a aura de grande fortuna dos anos 50 e 60. Mas está longe de ser desprezível. 
 
A movimentação do Porto de Santos nos quatro primeiros meses do ano, na casa de 30 milhões de toneladas constitui recorde histórico. E é um dos fatores desse congestionamento na barra e fora dela. 
 
Alguns detalhes são interessantes. 
 
Um navio que vai carregar em mais de um terminal pode chegar a atracar, receber a parte da carga que vem daquele terminal e depois voltar para o largo para uma nova espera. Ou até mais de uma, se estiver programado para três terminais. 
 
Muitas vezes é o exportador brasileiro que fica onerado por essa fila de espera. 
 
Mais calado 
 
A tramitação da MP 595 no Congresso teve muita turbulência. Logo depois veio o anúncio, pelo ex-ministro Pedro Brito, de que Santos e alguns portos do Nordeste vão ser os primeiros a ter licitações pelo novo regramento. 
 
Mais espuma.
 
No meio disso tudo, algumas boas notícias passaram quase despercebidas. 
 
A primeira delas se refere ao novo calado do Porto de Santos. A dragagem de aprofundamento para 15 metros, bem-sucedida, já produziu dois pontos homologados para 13,2 m. Quem acompanha as estatísticas, e também quem lê este espaço do DCI, já sabe que o número de navios atracados vem diminuindo e o volume de cargas movimentadas, aumentando. Sintomático da frequência crescente de navios maiores. 
 
Mas não é só isso. Muitos projetos de expansão estão sendo tocados ou anunciados simultaneamente. 
 
A notícia mais animadora é a do investimento de uma linha de exportação de minério. Não tanto pelo valor agregado do produto, infelizmente ainda baixo e, ultimamente, longe do pico atingido recentemente, no auge da expansão chinesa. Animadora, ainda assim, porque a previsão de embarques é alta, 20 milhões de toneladas e porque toda essa carga vai chegar a Santos por ferrovia. 
 
Projetos grandes de expansão também estão em curso nos terminais da Copersucar, em Santos, e da Fosfertil - leia-se Vale - em Cubatão, além de novos berços de atracação na Ilha Barnabé, coração do Porto, e na Alemoa, entrada de Santos. 
 
Mas isso já é um outro assunto que fica para um próximo texto. 



 

(*) Paulo Schiff é jornalista
 
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