Artigos e Entrevistas
16/12/2013 - 04h26
Portuários perdem representatividade
Fonte: G1 Santos / Fernando Allende (*)
A portaria 244, que acaba de ser publicada pela Secretaria Especial de Portos (SEP) estabelece nova regulamentação e altera a composição das representações públicas e privadas no Conselho de Autoridade Portuária, além de retirar todo o poder decisório do colegiado. Mesmo mantendo inalterada a representatividade dos trabalhadores, os dirigentes de todos os sindicatos portuários protestam porque a portaria transforma o CAP em um mero órgão consultivo, sem nenhum poder de decisão. Segundo dirigentes de todos os sindicatos, a portaria representa um retrocesso ao determinar que as decisões que envolvem o Porto sejam tomadas em Brasília, afastando empresários e trabalhadores da discussão do processo portuário.
O presidente do Sindicato dos Estivadores, Rodnei Oliveira da Silva, espera pelas “primeiras reuniões do grupo formado pela portaria definirá os rumos que transformaram o CAP em um mero conselho consultivo”. Para o sindicalista, “a perda de poder para decidir está sacramentada e resta aguardar os desdobramentos desse ato absurdo para saber se o CAP ainda terá alguma serventia ou será extinto”. Marco Antônio Sanches, presidente do Sindicato dos Conferentes de Carga e Descarga interpreta a portaria que centraliza as decisões sobre o futuro do Porto ” como um retrocesso que faz lembrar da extinta Portobras, de triste memória, criada em 1974, pelo general Ernesto Geisel, que concentrava todo o poder os portos brasileiros”.
“Como órgão apenas consultivo, integrado por representantes dos trabalhadores, Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp), prefeitura e empresários, entramos na contra-mão da modernidade”, afirma o presidente do Sindicato da Administração Portuária, Everandy Cirino dos Santos. Ele lamenta que as decisões que afetam o Porto passem a ser tomadas em Brasília e cita como exemplos os maiores e mais competitivos portos do mundo, “cujos gestores vivem a realidade desses portos”. Na opinião de Guilherme do Amaral Távora, presidente do Sindicato dos Operadores de Guindastes e Empilhadeiras, “é um absurdo que o planejamento estratégico do Porto volte a ser feito por burocratas em gabinetes de Brasília”.
(*) Fernando Allende, jornalista