Artigos e Entrevistas
06/05/2013 - 03h31
Portuários preparam-se para o pior
Fonte: G1 Santos / Fernando Allende (*)
Durante sua passagem por Minas Gerais nesta sexta-feira, a presidente Dilma Rousseff declarou considerar “crucial para o desenvolvimento do País a aprovação da Medida Provisória 595 (MP), que remeteu para o Congresso em meados de dezembro do ano passado”. Para a presidente, a MP cria um novo marco regulatório para o setor portuário, fundamental para expandir a estocagem e despacho rápido de exportações e importações. A presidente, declarou, ainda, “esperar que deputados e senadores compreendam a dimensão e o quanto a MP é fundamental para o desenvolvimento do país”. Um recado de que vai vetar o que alterar a eficácia da MP, que recebeu 135 emendas, e que teve como relator Eduardo Fraga (PMDB-AM), líder do governo no Senado.
Convencidas que a MP terminará dando aos operadores portuários a liberdade para contratar mão de obra avulsa, como quer a presidente, o que vai gerar a perda de centenas de postos de trabalho para os portuários, lideranças das nove categorias que operam nos 16 portos brasileiros, estarão reunidas na manhã da próxima segunda-feira, no Sindicato dos Estivadores de Santos. Os sindicalistas utilizarão o encontro para discutir formas de mobilização contra a MP, onde a mais drástica é a convocação de uma greve nacional de todas as categorias. Como o Palácio do Planalto não abre mão de dar liberdade aos operadores portuários para que contratem mão de obra avulsa fora dos portos organizados, a greve do setor parece inevitável.
Comentando as declarações da presidente e de sua chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, que ontem disse que “o governo não vai digerir as cláusulas que alteram o conteúdo da MP, aprovadas no texto substitutivo”, o presidente do Sindicato dos Estivadores, Rodnei Oliveira da Silva garante que “as categorias não aceitarão pacatamente a destruição de postos de trabalho”. O sindicalista garante que todos os dirigentes das categorias de trabalhadores portuários estão unidos e, caso a MP seja trnasformada em lei, como a presidente quer, “os portos públicos brasileiros vão parar”. O sindicalista também lamenta que a presidente volte-se contra os trabalhadores portuários com um lei que extinguirá, a médio prazo, várias categorias.
(*) Fernando Allende, jornalista