Notícias

15/05/2014 - 01h21

ADM eleva aportes no Brasil, que ganha peso nas operações globais

Fonte: Valor Econômico



Após um primeiro quadrimestre mais animador do que esperava para os negócios no Brasil, a americana ADM, uma das maiores empresas de agronegócios do mundo, se prepara para dar início à construção, em Campo Grande (MS), da nova fábrica de proteínas de soja que anunciou em março e planeja novos investimentos para o segundo semestre – inclusive em logística, área na qual enfrenta dificuldades para obter as licenças necessárias para agilizar o escoamento de produtos voltados à exportação pela região Norte.
 
No fim de dezembro, Valmor Schaffer, presidente da ADM no Brasil e na América do Sul (exceto Argentina), definiu 2014 como "um ano desafiador, em razão da dimensão da nova safra e dos reflexos da recomposição dos estoques globais nos preços de commodities como milho e soja". À época, também previa um ano "mais previsível" para o transporte da oferta destinada ao mercado externo e destacava que o câmbio dava sinais de que favoreceria esse comércio.
 
De lá para cá, sinalizou Shaffer em entrevista ao Valor, houve mais surpresas positivas do que negativas para a companhia. O transporte da safra para os portos do Centro-Sul de fato foi bem mais tranquilo que no início do ano passado, especialmente por causa do recuo das exportações brasileiras de milho, e os preços dos grãos, da soja inclusive, seguiram em nível mais elevado que o esperado, sob forte influência de especulações climáticas. O dólar perdeu força e a China tumultuou o mercado internacional de soja com devoluções de cargas, triangulações e calotes, mas o resultado da equação resultante do cruzamento desses fatores foi positivo para a companhia.
 
Conforme dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), as exportações da subsidiária brasileira da ADM somaram US$ 707,8 milhões no primeiro trimestre, 4,7% mais que em igual intervalo de 2013. O resultado manteve a empresa entre as dez maiores exportadoras do país (ver gráficos). A múlti não detalha seus resultados no Brasil, mas os embarques representam a maior parte das vendas. Como vêm crescendo, têm sido vitais para o ganho de importância da subsidiária nos negócios globais do grupo. Conforme Schaffer, a América do Sul, puxada pelo Brasil, hoje representa quase 10% de vendas globais que somaram US$ 20,7 bilhões de janeiro a março.
 
Com esse ganho de peso, e apesar de não enfrentado maiores problemas logístico do Centro-Oeste para baixo, a companhia continua a alimentar grande expectativa com seu projeto de escoamento de parte de suas vendas destinadas ao exterior pelo Norte. Schaffer espera que as licenças finais para a entrada em operação do terminal portuário da ADM em Barcarena, a cerca de 20 quilômetros de Belém, saiam no segundo semestre. "Fomos pegos pela mudança da Lei dos Portos. Foram oito meses de ‘stand-by’", afirmou, em referência à demora no processo. "Esse é um processo longo no país. Mais longo do que qualquer um estima".
 
Quando as licenças saírem, a empresa se juntará à Bunge e Cargill, as duas únicas empresas, também americanas, que operam hoje terminais graneleiros no Estado. Nos próximos dois anos, porém, mais uma dezena de representantes do agronegócio deverão estar utilizando a hidrovia Tapajós-Amazonas, que cruza o Pará, para movimentar carga de Mato Grosso até Santarém e Barcarena, no canal logístico mais esperado pelo setor de agronegócios.
 
O terminal em Barcarena, que antes exportava caulim e foi comprado pela ADM há três anos, deverá escoar já este ano – salvo mais imprevistos – 1 milhão de toneladas de grãos para o mercado externo. Em seis ou sete anos, estará apto a embarcar 6 milhões de toneladas por ano, o que o deixaria em pé de igualdade com as operações do porto de Santos, hoje o principal e mais congestionado no país. "Barcarena vai dividir bastante o volume com Santos", disse.
 
Conforme Schaffer, a localização do terminal é um diferencial importante. Para chegar a Barcarena, os grãos de Mato Grosso terão a opção de serem enviados por caminhão pela BR-163 ou descer em barcaças pelos rio Tapajós (saindo de Miritituba) e Madeira (saindo de Porto Velho). É possível, também, escoar a safra por Marabá, para atender aos novos polos agrícolas paraenses. Dependendo do ponto de partida e do caminho escolhido, os ganhos de tempo e distância são consideráveis, com redução estimada de até 34% nos custos de frete.
 
Num primeiro momento, a ADM não pretende realizar investimentos em barcaças, como as que já têm circulando nas hidrovias Tietê-Paraná e Paraguai-Paraná através da subsidiária Sartco. A saída pelo Norte será feita pela Bertollini Transportes, líder em transporte fluvial na Amazônia e que já conta com um terminal de transbordo de carga em Miritituba. Nos EUA, a ADM mantém quase duas mil barcaças em operação. No Paraguai, tem a terceira maior operação de navegação no mundo, com 240 barcaças e 13 rebocadores.
 
"Vamos anunciar, este ano, outros investimentos importantes no Brasil, inclusive em logística", adiantou o executivo. Mas, apesar desse viés exportador que marca a atuação da empresa desde que iniciou suas operações diretas no país, em 1997, foi de olho no mercado doméstico brasileiro – e de países sul-americanos onde a renda também aumentou nos últimos anos, como Paraguai, Chile e Colômbia – que a múlti anunciou, em março passado, seu maior projeto individual no país até agora.
 
Com os investimentos de US$ 250 milhões na fábrica de Campo Grande, que começará a ser erguida em junho, a ADM passará a produzir no Brasil proteínas de soja funcionais concentradas e isoladas cuja demanda das indústrias de alimentos e bebidas é atendida por importações. Segundo Schaffer, a planta da capital de Mato Grosso do Sul, que abastecerá toda a América do Sul – inclusive a Argentina -, representará uma "inovação para o Brasil" e conferirá um novo status para a operação brasileira nos negócios globais da ADM. Os produtos serão voltados principalmente para empresas de carnes, de lácteos e de panificação.
 
Imprimir Indique Comente

« Voltar

Galeria de
Imagens

Ver todas