Notícias
27/05/2015 - 04h49
Ajuste: CUT acusa Eduardo Cunha de barrar sindicalistas e é rebatida pela Força
Fonte: iG
CUT reclama que Eduardo Cunha não dá acesso a representantes da entidade à Câmara nos dias de votação de medidas que alteram direitos previdenciários e trabalhistas

CUT reclama que Eduardo Cunha não dá acesso a representantes da entidade à Câmara nos dias de votação de medidas que alteram direitos previdenciários e trabalhistas

O presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Vagner Freitas, acusa o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) de proibir a entrada dos integrantes da entidade no plenário da Casa nas sessões de votações das medidas provisórias 664 e 665 (que alteram direitos trabalhistas e previdenciários) e do projeto de lei 4330 (terceirização).
"Nós fizemos uma denúncia contra o preconceito do Eduardo Cunha, pela discriminação das pessoas que querem o acesso à Câmara", afirma Vagner Freitas, presidente nacional da CUT – central alinhada politicamente ao PT, partido ao qual Cunha tem feito oposição, desobedecendo a orientanção de sua leganda, que é da base aliado do governo.
“Queríamos tirar o PT do muro”, diz líder do PMDB após acordo
O presidente da Câmara tem dito entre seus pares na Câmara que a CUT não vai ao plenário porque não quer. O iG tentou falar com Eduardo Cunha, mas não conseguiu.
Veja as acusações do presidente da CUT a Eduardo Cunha:
Além disso, o presidente da CUT afirma que há um beneficiamento da Força Sindical (FS), central alinhada politicamente a Cunha, tendo como elo o deputado Paulo Pereira da Silva (fundador do partido Solidariedade, o Paulinho da Força, ex-presidente da central). Paulinho nega as facilitações na Câmara para colocar manifestantes nas galerias da Câmara nos dias de votação de projetos ligados a direitos trabalhaistas. Segundo o deputado, a CUT não vai ao plenário porque não quer.
"Eles fugiram do pau. Estão puxando saco da Dilma e não estão indo lá atuar contra as medidas. Mas se quiserem ir lá [à Câmara] na semana que vem [quando as medidas voltam a serem votadas] eu dou ingresso para eles", ataca Paulinho.
O deputado explica que a a divisão das senhas foi feita com os representantes dos partidos e que ele pediu aos partidos que não iriam utilizar que repassassem as senhas. "Por isso conseguimos mais lugares. Mas a CUT não estava lá. O [deputado] Vicentinho [PT-SP e ex-presidente da CUT] estava lá e poderia ter pedido também. Não há desproporcionalidade. E a decisão não foi do Eduardo Cunha, foi feita pela mesa, com todas as lideranças dos partidos."
Vagner Freitas reivindica que a CUT tenha acesso à Casa em todas as ocasiões. "Mas quando está sendo votada alguma coisa que tem impacto na mídia e que é proposta dele [Cunha], e ele concorda, o presidente da Câmara abre as galerias para quem vai votar com ele. Quando a proposta não é dele e ele não concorda, ele simplesmente fecha as galerias", afirma o presidente da CUT. "Na questão das medidas provisórias 664 e 665 eles deram 25 senhas para gente e tinha três, quatro, cinco vezes, mais gente de outra central sindical [Força]", diz Freitas.
A CUT, segundo Freitas, foi até o Supremo Tribunal Federal (STF) para conseguir uma habeas corpus que garantisse a CUT o acesso as galerias, o que Cunha teria descumprido. "A nossa executiva tentou ir às galerias e o presidente não permitiu. Não é possível que a gente vá regredir o Brasil de maneira que você tenha um déspota que determina de maneira autoritária e ditatorial o acesso do povo à casa do povo."
Segundo a CUT, a polícia legislativa proibia acesso afirmando que as galerias estavam lotadas. No STF, a ministra Rosa Weber concedeu uma liminar que garantia a entrada de dirigentes que fazem parte da direção executiva da CUT. Com a liminar na mão, diz Freitas, demorou mais de uma hora para Cunha autorizar a entrada do pessoal da executiva. Quando passaram o primeiro portão, outro segurança pedia o RG, conferia o nome na lista da liminar, mandava deixar celular, bolsa, caneta e papel num guarda-volumes e liberava a entrada.
Na sexta-feira (29), a CUT fará o Dia Nacional de Paralisação, em protesto contra o projeto de terceirização (aprovado na Câmara dos Deputados como Projeto de Lei 4330 e que agora tramita no Senado como PLC 30) e as MPs 664 e 665, que restringem o acesso ao abono salarial, auxílio-doença e seguro-desemprego e o ajuste fiscal.