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06/11/2014 - 08h45

Ambiente de Trabalho: Como lidar com uma colega que não colabora?

Fonte: Valor Econômico



Trabalho no departamento de recursos humanos de uma multinacional há quatro meses. Recentemente, uma funcionária que já está na empresa há três anos foi transferida para o meu setor. O problema é que essa colega tem o temperamento difícil, não gosta de mudanças, e estou tendo dificuldades para lidar com ela. Tivemos alguns conflitos e conversamos sobre o assunto. Ela disse que ia melhorar e começar a atuar mais em equipe, mas suas atitudes mostram o oposto. Sinto que ela tem medo de que eu apareça e o trabalho dela não. Já tentei ganhar sua confiança e tenho muita paciência - não revido as atitudes ríspidas -, mas nada funcionou. Meu gestor sabe de tudo o que está acontecendo, mas não faz muito pra me ajudar. A situação é muito desconfortável. O que fazer? 
 
Coordenadora de RH, 27 anos
 
Resposta:
 
Gosto de perguntar aos diferentes profissionais que cruzam meu caminho o que, no dia a dia de trabalho, mais os motiva e desmotiva. As respostas são as mais variadas e sempre aprendo com elas, já que cada pessoa tem uma história de vida única e traz para sua carreira essa individualidade. Porém, o que mais chama a minha atenção é que, independentemente da empresa ou da área de atuação do profissional, normalmente, os fatores desmotivadores passam pelo relacionamento entre pessoas: gestor e funcionário, pares, equipes, clientes, entre outros.
 
Não há escola sobre como se relacionar com as pessoas a não ser a própria vida - e ninguém chega ao mercado de trabalho com uma nota de inteligência emocional. Tenho escutado muito sobre a falta de bom senso das pessoas que compõem uma organização, mas não há uma regra única quando falamos dos aspectos relacionais - e esse é o desafio.
 
O psicólogo Howard Gardner foi o teórico responsável pelos estudos das inteligências múltiplas e que mudou nossa noção sobre o que significa ser inteligente. O seu livro mais famoso, "Estruturas da Mente", lançado em 1983, descreve sete dimensões da inteligência: visual ou espacial, musical, verbal, lógica ou matemática, interpessoal, intrapessoal e corporal ou cinestética.
 
Na década de 90, outros dois pesquisadores, Salovey e Mayer, posicionaram a inteligência emocional como um subconjunto das inteligências múltiplas de Gardner. Essa discussão foi ganhando mais destaque, até a publicação dos estudos de Daniel Goleman, que popularizou o conceito e o traduziu para o contexto organizacional.
 
Desde então, inteligência emocional é uma das habilidades mais determinantes na contratação e promoção dos profissionais, indo além da inteligência e da formação acadêmica. Pelo seu relato, é possível entender o motivo dessa valorização pelo QE (coeficiente emocional). Você acredita que a empresa na qual trabalha valoriza como as pessoas entregam suas metas e resultados? Conheço culturas em que isso é fundamental, outras nem tanto. Vale entender como isso funciona além da perspectiva do seu gestor.
 
Em relação ao que você pode fazer para melhorar o relacionamento com essa sua colega, é importante, antes de tudo, ter coerência no que você diz e faz: você se conhece o suficiente para ter segurança de que não estimula esse jogo competitivo de quem aparece mais? O que tem feito para não alimentar isso? Cuide e reveja suas próprias atitudes - elas podem quebrar esse ciclo de insegurança e ataque da sua colega. Envolva-a nas suas entregas e compartilhe os seus resultados comuns. Mostre com atitudes que acredita na lógica do trabalho em equipe.
 
Em relação ao seu gestor, certamente ele quer que vocês duas encontrem sozinhas as soluções para esse conflito, sem a necessidade de tomar partido, garantindo a autogestão do time. Ele não vai ajudá-la com respostas prontas, mas talvez possa compartilhar sua própria experiência.
 
Dificuldades nos relacionamentos interpessoais são um dos maiores desafios na construção de uma carreira e, infelizmente, não há cartilha que dê o passo a passo de como resolvê-las. O que pode ajudar é cuidar do nosso autoconhecimento, pois, assim, estaremos fazendo um bem para nós mesmos e para os demais, quebrando esse ciclo competitivo e individualista.
 
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