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07/05/2013 - 03h37
Apenas um quarto dos aposentados se mantém trabalhando
Fonte: Blog Aposentados do INSS
Apesar do aperto com o encolhimento dos benefícios, a poupança ainda não entrou para a matemática financeira do brasileiro. Marcílio Braga Júnior, de 33 anos, trabalha num salão de beleza no Bairro Sion, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte. Casado, com dois filhos, ele não paga INSS. “Não dá para confiar numa instituição na qual as regras mudam toda hora”, explica. Para tentar garantir seu sustento na velhice, ele está fazendo um plano de capitalização. Quando tiver juntado o bastante, usará o dinheiro para dar entrada na compra de um apartamento. “A princípio, o dinheiro que vai para a capitalização está servindo como poupança. Mas acho melhor pagar um apartamento e viver com a renda do aluguel”, explica.
Para manter o padrão de vida de quando estava na ativa ou ter dinheiro suficiente para pagar um plano de saúde na velhice, o brasileiro está sendo chamado a financiar seus gastos na terceira idade. Em 2030, o Brasil será o quarto país em crescimento no número de aposentados, mas, ao mesmo tempo, o financiamento público para o idoso tem encolhido. Hoje cerca de 9 milhões recebem acima do patamar básico, mas esse número, segundo a Confederação dos Aposentados e Pensionistas do Brasil (Cobap), há cerca de 15 anos era de 15 milhões.
“A situação atual no país não é nada boa. O panorama geral é o seguinte: um quarto dos aposentados se mantém trabalhando, o restante depende de familiares ou de caridade”, diz Tharcísio de Souza. A Confederação dos Aposentados e Pensionistas do Brasil (Cobap) aponta que a política de reajustes das aposentadorias com valores inferiores ao mínimo tem a cada ano levado milhões de aposentados para a base do salário mínimo, ou bem próximo dela.
RANKING CRUEL
A população idosa no Brasil está longe de ser bem cuidada pelo Estado. O país ocupa o 40º lugar no ranking mundial dos cuidados dispensados aos mais velhos, segundo levantamento da consultoria Natixis Global Asset Management, que comparou a situação dos idosos em 150 países. Os brasileiros recebem menos cuidados que a população de países europeus, que os americanos e também que vizinhos, como os uruguaios e chilenos. Para manter o padrão de vida da ativa, números do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que o aposentado que não tem reservas precisa se virar ou apelar para o Santíssimo.
“Se Deus quiser, me aposento no ano que vem, mas vou continuar trabalhando”, diz Clóvis Luiz Nascimento, que em 2014 completa 40 anos de trabalho como garçom e 35 de contribuição ao INSS. Como não se planejou para a aposentadoria, Clóvis, que é um garçom de mão cheia e já trabalhou nas melhores casas da cidade, considera que a única saída será continuar na carreira.