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05/04/2016 - 05h41
Apesar da concorrência, Santos segue crescendo
Fonte: Valor Econômico


As exportações de soja e milho pelos portos do Arco Norte - Itacoatiara (AM), Santarém e Vila do Conde (PA), Itaqui (MA) e Salvador (BA) - passaram de 12,2 milhões de toneladas em 2014 para 19,9 milhões de toneladas no ano passado. A expectativa do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) é que eles exportem 64 milhões de toneladas em 2025. Se esta perspectiva se concretizar, os embarques de grãos no Porto de Santos (SP) devem diminuir gradativamente. O fato não assusta nem a Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp) nem grandes operadoras como a Louis Dreyfus Company, que continuam investindo na maior estrutura portuária do país.
O Porto de Santos não foi afetado pelo crescimento constante das exportações de milho e soja pelos portos do Arco Norte. Ao contrário. Os embarques de grãos continuam em franca expansão. Em 2015, foram 33,56 milhões de toneladas apenas com o complexo soja (grãos e farelo) e milho, 32% a mais do que no ano anterior. "O governo federal investe para que os portos da região Norte se tornem uma opção logística mais racional para o escoamento da safra de grãos do país, contribuindo para o desenvolvimento do nosso comércio exterior", explica Alex Oliva, presidente da Codesp.
Mesmo assim, Oliva acredita que volume de grãos embarcados em Santos deve continuar crescendo. "Continuamos a investir, em parceria com o setor privado, para aprimorar a infraestrutura do Porto de Santos para granéis vegetais, a fim de oferecer ao país uma alternativa eficiente e que permita redução de custos para os exportadores. Estamos investindo não só na modernização de instalações, mas também de equipamentos, objetivando índices de produtividade mais elevados e proteção ao meio ambiente".
No caso dos granéis vegetais, Oliva destaca os recursos viabilizados por meio do leilão realizado em dezembro de 2015 pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq). "Foram garantidos investimentos de R$ 1,32 bilhão, em uma área localizada na região de Ponta da Praia (corredor de exportação), pelo consórcio LDC Brasil- BSL, formado pelas tradings Louis Dreyfus Company e Cargill ", diz o executivo.
A Louis Dreyfus explica que o principal investimento da companhia em 2015, de aproximadamente R$ 350 milhões, foi feito justamente no Porto de Santos, por meio do consórcio LDC Brasil - BSL. A área arrematada, de 46.800 metros quadrados, "receberá mais investimentos nos próximos anos, grande parte deles voltado à sustentabilidade e ao aprimoramento da estrutura interna do terminal e modernização dos equipamentos para movimentação de grãos".
A Louis Dreyfus atua no escoamento de grãos em outros portos como Itaqui (MA), Paranaguá (PR), Tubarão (ES), Rio Grande (RS) e Aratu (BA), além de investir em novos corredores logísticos. No Arco Norte, participa do consórcio Tegram e investe no projeto de construção de terminal de transbordo e barcaças para o transporte de soja e milho na hidrovia Tapajós-Madeira. No Porto de Santos, a companhia registrou, em 2015, um crescimento de aproximadamente 13% na movimentação.
Embora seja grande a movimentação para garantir que Santos continue a ser o maior porto do país, todos concordam na necessidade de investir na estruturação do sistema portuário do Arco Sul, até para aumentar a competitividade dos produtos provenientes das novas fronteiras agrícolas situadas acima do paralelo 16° Sul, nas proximidades das cidades de Cuiabá, Brasília e Ilhéus. "É preciso escoar a produção do Centro-Oeste por vias mais eficientes", explica Marcelo Cabral, diretor do Departamento de Infraestrutura, Logística e Geoconhecimento do Mapa. "A consolidação dos corredores do Arco Sul significará uma redução de custos logísticos para o produtor e viabilizará novas áreas de produção de grãos, hoje ocupadas com pastagens."
De Sorriso (MT) a Santos, o trajeto é de pouco mais de 2 mil quilômetros. "Em 2014, 64 milhões de toneladas de soja e milho do Centro-Oeste foram exportados pelos portos de Santos e Paranaguá. Com isso, o custo logístico destes produtos é quatro vezes maior que o dos Estados Unidos", diz Luiz Antonio Fayet, consultor de logística e infraestrutura da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil. "Se tivéssemos uma estrutura compatível no Arco Sul, o custo de Sorriso cairia de US$ 126 a tonelada para US$ 80 a tonelada. Com esta irracionalidade logística, a cadeia de exportação do MT perdeu US$ 1,2 bilhão apenas em 2014."