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29/05/2013 - 03h09

Após 4 horas parado, motorista de 84 anos desiste de levar carga a Santos

Fonte: G1
 
 
Preso desde as 10h30 desta terça-feira (28) em um congestionamento na rodovia Anchieta, no sentido litoral de São Paulo, o motorista de caminhão Domingos Pereira, de 84 anos, desistiu de entregar a carga que estava levando ao Porto de Santos. Mesmo após um breve trecho com os veículos andando, entre o km 32 e o km 33 da estrada, ele afirmou que pretende arcar com os prejuízos do serviço não realizado porque sabe que o trânsito não vai melhorar rapidamente.
 
“Tenho 84 anos passados e estou aqui tomando chuva”, reclamou o motorista. “Que hora que eu vou chegar lá? Eu vou voltar por trás, perder um pedágio e amanhã vou de madrugada”, disse ao G1 enquanto aguardava o deslocamento dos caminhões à frente.
 
O motorista levava uma carga de sacos de lixo de Santo André para o porto, mas não quis arriscar mais tempo no deslocamento. Segundo ele, ainda há outros trechos, mais próximos do porto, que também vão levar bastante tempo para serem percorridos.
 
Pela manhã, um congestionamento superior a 50 quilômetros parou o fluxo em estradas que dão acesso ao Porto de Santos. Por volta das 12h20, ainda havia 26 quilômetros de trânsito lento na Anchieta, no sentido litoral. O tráfego na Cônego Domênico Rangoni, no entanto, foi normalizado após várias horas de problemas.
 
Desde a madrugada, motoristas de caminhões de carga ficaram parados nas duas rodovias, com dificuldades para chegar aos terminais da maior zona portuária do Brasil.
 
De acordo com a Ecovias, concessionária que opera o sistema Anchieta-Imigrantes, o motivo do congestionamento é uma nova norma adotada pela prefeitura de Cubatão, que só permite que os caminhões entrem nos pátios de espera do município entre 8h e 18h. Na madrugada, esses pátios reguladores, que funcionavam 24 horas, ficaram fechados. A regra vigora desde segunda-feira.
 
Com a restrição aos espaços, onde motoristas costumavam aguardar a vez para descarregar as mercadorias, a rodovia Anchieta virou estacionamento provisório. Segundo a prefeitura de Cubatão, a norma foi implantada para tentar enfrentar os problemas causados pelo excesso de caminhões nos locais.
 
A prefeitura anunciou, pela manhã, que integrantes da Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp) e do Conselho de Autoridade Portuária vão discutir a situação ainda hoje e avaliar o decreto municipal da prefeita Marcia Rosa, que estabelece a restrição de horário para acessar os pátios.
 
‘Não tem banheiro’
 
O motorista Anderson Miranda, de 33 anos, esperava descarregar a carga de soja trazida de Nova Ubiratã (MT) no início da tarde desta terça-feira. Com o congestionamento formado na madrugada, ele acha que apenas amanhã vai concluir o trabalho. “Vamos ver que hora vou chegar lá”, disse.
 
“É ruim porque a gente tem de parar na estrada, não tem banheiro. Estou sem almoço. Minha última parada foi em Itaí, no interior de São Paulo, às 9h”, afirmou por volta das 14h, parado na rodovia junto com mais caminhoneiros.
 
Ele disse que a situação dos motoristas é complicada e que os caminhoneiros nem sabem se terão espaço para aguardar a hora de descarregar nos pátios ou se vão passar mais uma noite na rodovia.
 
Multa para quem descumprir norma
 
De acordo com a medida tomada pela prefeitura de Cubatão, quem não cumprir a nova regra sobre os horários para estacionar nos pátios pode ter atividades suspensas de 10 a 30 dias ou ter o alvará de funcionamento cassado.
 
Em nota divulgada na segunda, primeiro dia da restrição, a administração do município disse que o problema dos congestionamentos só vai ser amenizado com uma “solução metropolitana”.
 
O secretário de Assuntos Portuários de Santos, Eduardo Lopes, não concorda com a nova medida e falou sobre essa confusão no trânsito das estradas. “É altamente preocupante, porque os quatro mil caminhões que estão diluídos nas 24 horas de operação do pátio vão ficar concentrados em 10 horas. Nós imaginamos que, durante a madrugada, os caminhões devem parar na estrada, aguardando a abertura do pátio”, disse
 
“Depois, no final da tarde, esses caminhões devem ser liberados de uma vez só. Aí corremos o risco de, no final das tardes, termos 500, 600 caminhões na entrada de Santos”, completou o secretário.
 
Em nota, a Companhia Docas do Estado de São Paulo disse entender que a medida tomada pela prefeitura de Cubatão compromete a logística de acesso aos terminais e não entende de que forma a limitação no horário de funcionamento dos Pátios Reguladores irá reduzir os impactos no município.
 
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