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27/04/2017 - 05h49
Baixada Santista perdeu 1.157 postos de trabalho em março, aponta Caged
Fonte: A Tribuna On-line
Mas ritmo no fechamento de vagas de emprego na região vem desacelerando


O Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho, mostrou que a Baixada Santista demitiu mais trabalhadores do que contratou, seguindo o cenário ditado pela crise no País. Apesar disso, o ritmo no fechamento de postos de trabalho vem desacelerando.
Em março deste ano, a região registrou o fechamento de 1.157 postos de trabalho, contra 2.637 registrados no mesmo mês de 2016. Na comparação dos dados de janeiro, fevereiro e março, o ritmo mais lento na queda das vagas fica ainda mais claro. No primeiro trimestre de 2017, foram eliminados 3.924 empregos. No mesmo período de 2016, o número chegou a 9.519.
Os dados mais positivos foram vistos no setor de serviços de Santos, que contratou mais do que demitiu e fechou março com um saldo positivo de 305 vagas. Já em Cubatão, foi a construção civil que ajudou a frear o ritmo de demissões, tanto no município, quanto na região. O setor contratou 175 pessoas e demitiu 86. A indústria de transformação também deu fôlego ao cenário, com um saldo positivo de 55 vagas, admitindo 132 e desligando 77. Por outro lado, Guarujá e Praia Grande foram os municípios que mais demitiram, com um saldo negativo de 437 e 257, respectivamente.
Em fevereiro deste ano, a situação foi melhor. Com 8.467 admissões e 9.367 demissões, o resultado foi um saldo negativo de 900 postos. No entanto, a comparação entre os dois meses é sempre prejudicada, isso porque março já tem uma característica de queda de postos em alguns setores por conta do fim das férias e dos contratos temporários de fim de ano, como explica o economista Jorge Manuel Ferreira.

Brasil
O País perdeu 63.624 vagas de emprego formal em março. No mesmo mês do ano passado, a retração foi de 118 mil postos de trabalho. O mês de março apresentou uma variação negativa de -0,17% em relação ao estoque do mês anterior. Foram registradas 1.261.332 admissões contra 1.324.956 desligamentos. No acumulado do ano, a queda foi de 64.378 postos de trabalho.
Para o economista Jorge Manuel Ferreira, já era esperado um número negativo, mesmo porque o País ainda vive em crise. “Mas a tendência é que o ritmo dos desligamentos aconteça de forma cada vez mais lenta”, afirma.
Segundo Ferreira, são muitas variáveis que estão em jogo, como as definições da Reforma da Previdência, e a economia ainda depende dessas decisões, apesar do otimismo inicial. ''A queda dos juros e da inflação abre o caminho para uma retomada. Mas isso não acontecerá de um dia para o outro, num piscar de olhos”, garante.
Fôlego no porto
Na visão do economista, as atividades portuárias tendem a ganhar mais fôlego e crescer com a safra agrícola, puxando a economia de Santos e da região ao atingir os setores de serviços e do comércio.
No entanto, o também economista José Pascoal Vaz faz um alerta. Ele concorda que, a curto prazo, as medidas tomadas pelo Governo podem melhorar a economia, tanto pelo efeito positivo sobre uma situação que é bem ruim, como o número de desempregados, quanto pelo sentimento otimista do mercado.
“Porém, a longo prazo, acredito que teremos o aumento das desigualdades. Para ajustar as contas, é preciso gastar mais com os mais pobres e cobrar mais impostos dos mais ricos. E não é isso que estamos vendo com as propostas da Previdência, com o congelamento dos gastos públicos, por exemplo. E em um País desigual, tudo funciona mal, produzindo menos”.