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02/04/2013 - 01h29
Balança tem superavit de R$ 164 mi, pior resultado para março desde 2001
Fonte: UOL

Diferença entre as importações e as exportações do país, a balança comercial brasileira registrou superavit de US$ 164 milhões em março, queda de 92% frente ao mesmo período do ano passado e o pior resultado já verificado para o mês desde 2001.
O saldo positivo contrariou as expectativas do próprio governo que, no mês passado, sinalizou a possibilidade de deficit no mês, repetindo o desempenho de janeiro e fevereiro. Apesar do resultado de março, no acumulado do ano, o deficit chega a US 5,2 bilhões.
É um cenário bem diferente do vivido pelo país no ano passado: de janeiro a março de 2012, a balança registrou superavit de US$ 2,4 bilhões.
Os dados foram divulgados nesta segunda-feira (1º) pelo Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior), e o desempenho de março foi resultado de US$ 19,2 bilhões em importações – alta de 12% frente a 2012 – e de US$ 19,3 bilhões em exportações – aumento de 1,6%.
Segundo a secretária de comércio exterior, Tatiana Prazeres, há sinais positivos nos dados da balança comercial, como a alta média diária das exportações no mês, que bateu recorde, ao registrar US$ 966 milhões.
Ela lembrou, contudo, que o governo esperava deficit por conta do grande "estoque" de operações de importação de combustíveis feitas pela Petrobras no ano passado e não contabilizadas no saldo comercial de 2012.
A expectativa era que o descompasso fosse resolvido em março, o que não aconteceu. De um total de US$ 4,5 bilhões em compras em atraso, há ainda US$ 1,8 bilhão para entrar nos cálculos da balança.
"O superavit nos próximos meses não serão tão robustos quanto imaginávamos", afirmou.
Em março, foram registrados apenas US$ 200 milhões em importações do estoque da Petrobras. Mesmo assim, as importações de combustíveis foram as que mais cresceram entre as categorias de produto, com alta de 16%.
O governo não quis mais uma vez estipular uma meta para as exportações este ano, se limitando a dizer que estarão "no mesmo patamar" do ano passado, quando alcançou US$ 242 bilhões.
Como informou a Folha, técnicos do Ministério do Desenvolvimento trabalhavam no cálculo da meta de exportações para este ano e pretendiam finalizar o trabalho ainda em março.
O plano, contudo, foi temporariamente abandonado diante do caos logístico que afeta o escoamento da supersafra de grãos.
Fontes do governo alegam que as dificuldades enfrentadas pelos exportadores nos portos tornaram o cenário "muito incerto" e estimar o saldo comercial do ano por enquanto ainda é "impossível".
EFEITO PETROBRAS E CAOS LOGÍSTICO
Em janeiro, o governo alertou que a balança comercial deveria apresentar deficit nos primeiros meses do ano porque um grande "estoque" de operações de importação de combustíveis feitas pela Petrobras no terceiro trimestre do ano passado não foi contabilizado no saldo comercial de 2012.
Entre janeiro e fevereiro, houve o registro de US$ 2,5 bilhões em compras atrasadas da estatal, o equivalente a cerca da metade do estoque total da Petrobras previsto para entrar na conta da balança comercial de todo o ano.
Segundo dados do governo, a supersafra impulsionou as exportações de milho que, no acumulado do ano, apresentam alta de 440% nas vendas frente ao mesmo período de 2012.
O caos logístico para o escoamento de grãos nos portos brasileiros prejudicou, no entanto, as vendas de soja. Em relação ao ano passado, houve queda de 8,2% nas exportações do produto.
Segundo a secretária de comércio exterior, Tatiana Prazeres, apesar dos problemas para embarque, não há notícia de novos cancelamentos de contrato.
"Estamos em contato permanente com o setor privado e fomos informados de que há apenas reprogramação de embarques em função de dificuldades logísticas enfrentadas nos últimos dez dias", afirmou.
EXPORTAÇÕES E IMPORTAÇÕES
As exportações cresceram 1,6% pela média diária impulsionadas pelas vendas de manufaturados (+4,1%) e de semimanufaturados (+17,2%). As vendas de produtos básicos caíram 3,7%.
Nos três primeiros meses do ano, as vendas do Brasil para o exterior alcançaram US$ 50,8 bilhões, queda de 3,1% frente ao mesmo período do ano passado também pela média diária.
As importações subiram 12% em março devido ao aumento das compras de bens do exterior em todas as categorias de produtos: combustíveis e lubrificantes (+15,8%), bens de capital (+12%), matérias-primas e intermediários (+11,6%) e bens de consumo (+7,4%).
No acumulado do ano, as compras do exterior chegam a US$ 56 bilhões, crescimento também de 12% frente ao mesmo período do ano anterior.
BALANÇA EM 2012
A balança comercial apresentou superávit de US$ 19,4 bilhões no ano passado, o resultado mais baixo desde 2002. A queda foi de 35% ante 2011 – quando o superavit foi recorde, ficando em US$ 29,7 bilhões.
O resultado da balança comercial vinha se mantendo positivo, sempre acima dos US$ 20 bilhões, desde 2002 – quando o superávit foi de US$ 13,2 bilhões.
As exportações no ano passado somaram US$ 242,6 bilhões – queda de 5,3% frente a 2011 – e as importações caíram 1,4%.
CRISE MUNDIAL
Até setembro do ano passado, o governo trabalhava com uma meta de US$ 264 bilhões para as exportações do país em 2012. Diante da perspectiva de que não seria possível cumpri-la, resolveu abandoná-la.
O governo apontou a crise mundial, a retração de mercados importantes e a multiplicação de barreiras comerciais no mundo como causas para o fraco desempenho da balança e a queda nas exportações.