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29/05/2015 - 09h05

Brasil cai e tem pior posição histórica em ranking de competitividade

Fonte: G1 / SP
 
País perdeu duas posições, para 56º lugar entre 61 países. Brasil é último colocado nos itens 'suborno' e 'corrupção'.

 
A piora no desempenho da economia brasileira cobrou seu preço também na competitividade do país. Pelo quinto ano seguido, o Brasil perdeu posições no ranking global de competitividade, feito pelo IMD e pela Fundação Dom Cabral – e atingiu sua pior classificação histórica, um pouco honroso 56º lugar. O ranking é elaborado desde 1989.
 
No topo da lista se destacam os Estados Unidos, Hong Kong, Cingapura e Suíça, seguidos do Canadá e de países da zona do Euro. Entre os países latino-americanos, o Chile se mantem na melhor posição, no 35º lugar, seguido do México (39º).
 
A queda
 
O Brasil foi ultrapassado, este ano, pela Bulgária, que passou de 56ª para a 55ª posição, e pela Eslovênia, que saiu da 55ª para a 49ª posição. Em seis anos, o índice de competitividade do Brasil caiu cerca de 20%, distanciando significativamente o país das nações no topo do ranking, segundo a Fundação Dom Cabral.
 
Com a perda de posições, o Brasil agora está à frente, no ranking, apenas da Mongólia, Croácia, Argentina, Ucrânia e Venezuela, entre os 61 países analisados.
 
Desempenho da economia
 
Segundo o levantamento, as maiores perdas do Brasil vieram do item "desempenho da economia", em que o país recuou oito posições na comparação com o ano anterior. Dentro desse quesito, o item "emprego" teve queda de 15 posições, enquanto "economia doméstica" caiu sete colocações. Em "preços", o recuo foi de três posições.
 
"Apesar do Brasil se manter como a sétima maior economia do mundo, a desaceleração interna vivenciada pelo país influenciou negativamente sua capacidade competitiva. O crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de apenas 0.1% em 2014, em contraste com a expansão da economia mundial de 2.3%, colocou o Brasil na 55ª posição nesse quesito", diz o estudo.
 
Eficiência do governo
 
O Brasil também mostra baixo desempenho no fator "eficiência do governo", que analisa o impacto do ambiente político, institucional e regulatório na capacidade competitiva dos países. O item, aponta o estudo, "é historicamente o ponto mais crítico para a competitividade do país".
 
Desde 2011, o Brasil figura entre as cinco piores nações neste fator e, no ranking desse ano, apresentou uma queda de duas posições, chegando ao 60º lugar, à frente apenas da Argentina.
 
"A pouca flexibilidade da legislação trabalhista e a complexidade do sistema regulatório, combinadas com a alta carga tributária e as taxas de juros que não incentivam o investimento na produção e no crescimento das empresas, contribuem para manter o país entre os piores ambientes do mundo para se fazer negócio", diz o levantamento.
 
O Brasil também se destacou negativamente no quesito "finanças públicas", em que perdeu dez posições de 2014 para 2015, graças ao déficit nominal de US$ 146 bilhões no ano passado.
 
A pior colocação do país, no entanto, aparece nos subitens "suborno" e "corrupção", nos quais o Brasil aparece na última posição entre os 61 países analisados.
 
"Isto evidencia como os desvios de dinheiro têm um efeito perverso no lado real da economia, reduzindo a atratividade do país. Estamos também no final da lista no que diz respeito a barreiras tarifárias, burocracia, impostos corporativos e taxa de juros de curto-prazo", diz a pesquisa.
 
Infraestrutura
 
Desde 2012, o Brasil vem caindo no ranking no quesito infraestrutura. Em 2015, chegou à 53ª posição. A crise hídrica, que vem afetando o abastecimento de energia e de água no último ano, contribui para a queda do país nessa categoria, e o risco de racionamento no curto prazo desponta como um dos principais desafios competitivos para o Brasil em 2015.
 
Eficiência empresarial
 
Não foi só o governo que demonstrou piora no ranking. A eficiência das empresas também teve queda acentuada, recuando cinco posições, para o 51º lugar e acumulando 24 posições perdidas em quatro anos.
 
A produtividade e a eficiência do trabalho continuam sendo um grande entrave, com o país ocupando a 59ª posição do ranking.
 
Atrativos do Brasil
 
Com tantos pontos negativos, os executivos ouvidos apontaram as "atitudes abertas e positivas" como o maior atrativo da economia brasileira, com 68% das respostas a favor. O dinamismo da economia foi apontado por 59,1%, enquanto o acesso a financiamento é visto como favorável por 53% dos pesquisados.
 
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