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12/08/2013 - 02h13
BTP se reúne com governo para destravar terminal em Santos
Fonte: Valor Econômico

A Brasil Terminal Portuário (BTP) se reuniu na última quinta-feira (8) com autoridades brasileiras em Brasília para discutir os atrasos no início de sua operação no Porto de Santos. Pronta para começar suas atividades desde fevereiro, a empresa obteve em julho a última licença que precisava, do Ibama, mas ainda depende da finalização de obras de dragagem no porto, sob a responsabilidade do governo.
"O terminal está totalmente concluído. Esperávamos entrar em operação neste mês, mas a conclusão da dragagem nos foi prometida para até o fim deste ano", afirmou em entrevista exclusiva ao Valor, Kim Fefjer, principal executivo da APM Terminals, controladora da BTP em associação com a Terminal Investment Limited (TIL), ambas operadoras de contêineres.
Fefjer passou o dia no Brasil, ontem, para participar de várias reuniões em Brasília. Sua expectativa era de acelerar o processo, que ele afirma ter gerado o "pior" problema de atrasos que já enfrentou nos últimos nove anos, desde que assumiu o comando global da companhia. A APM Terminals, que faz parte do grupo Maersk, tem 62 terminais em 60 países, além de sete em construção ou prestes a operar. Um deles é o da BTP, em Santos.
Enquanto o terminal permanece inativo, o governo deixa de arrecadar US$ 100 milhões ao ano em impostos e taxas, afirma o executivo. A estimativa dele é que a BTP gere movimento anual de cargas com valor equivalente a R$ 20 bilhões. Fefjer disse ainda que há diversos navios e nove mil empregos à espera do terminal, sendo mil vagas de trabalho congeladas e outros oito mil postos indiretos.
A estimativa feita pelo diretor-presidente, Henry James Robinson, em junho, era de uma perda de R$ 300 milhões de faturamento bruto se a homologação só saísse em outubro, prazo considerado na ocasião. Além disso, enquanto a BTP não opera, ela deixa de contar com o movimento da própria Maersk, que atualmente utiliza a Libra Terminais.
Após a emissão da licença de operação do Ibama, em 22 de julho, a conclusão da dragagem passou a ser o último grande entrave para a BTP. A demora deve-se principalmente ao fato de o terminal estar no trecho 4 do canal de navegação do Porto de Santos, considerado o mais problemático por causa de complicações hidrodinâmicas. Segundo a Codesp, operadora do Porto de Santos e responsável pela dragagem no acesso ao berço da BTP, entre as particularidades do local está a alta concentração de resíduos tóxicos, que levou o processo de dragagem a ser mais lento do que em nos demais trechos (1, 2 e 3). Já a dragagem do canal de navegação, que também segue em execução, é de competência da Secretaria de Portos (SEP).
A Codesp e a SEP não estabelecem prazos formais para término da dragagem, mas existe a expectativa de que seja anunciado em breve um avanço nos processos.
Construído pela empreiteira Andrade Gutierrez, o terminal recebeu um investimento de US$ 1 bilhão e tem capacidade para 1,2 milhão de Teus (contêineres de 20 pés), 1,4 milhão de toneladas de granéis líquidos e 620 atracações por ano. "Há uma grande necessidade por essa capacidade. Como investidor estrangeiro, vejo como substancialmente importante olhar para a criação de valor que está sendo postergada no país", afirmou Fefjer. Na estimativa dele, a BTP poderá atingir sua capacidade após um período de ganho de velocidade ("ramp-up") de seis meses.