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10/12/2018 - 00h43
Caminhoneiros planejam manifesto na Baixada Santista nesta segunda-feira
Fonte: Valor Econômico

Caminhoneiros se organizaram para um manifesto na madrugada de domingo para segunda-feira, em pontos estratégico do Porto de Santos, informou ao Valor José Cícero Rodrigues, diretor do Sindicato dos Transportadores Rodoviários Autônomos de Bens da Baixada Santista e Vale do Ribeira (Sindicam).
Segundo ele, o sindicato foi informado por integrantes da categoria e, na Baixada Santista, caminhoneiros planejam se dirigir para o viaduto da Alemoa, no terminal portuário, mesmo local de mobilização da categoria na região durante a greve que parou o país em maio.
"Não sabemos ainda a proporção que vai tomar, mas partiu de forma espontânea, da categoria, e tenho informação de que é em nível país", informou Rodrigues.
A Associação Brasileira dos Caminhoneiros (Abcam) criticou, nesta sexta-feira, a decisão do ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), de suspender a aplicação de multas para as empresas que descumprirem a tabela de frete. Segundo a entidade, a liminar concedida por Fux causou "perplexidade" e os caminhoneiros não descartam uma nova greve.
"Apesar de sermos contrários a uma nova paralisação geral, não podemos nos opor à decisão dos caminhoneiros os quais representamos. A situação está insustentável e não sabemos até quando será possível conter a categoria e evitar uma nova paralisação", disse a nota da entidade.
"Acreditamos que a decisão do ministro atrapalhou o diálogo que vinha sendo mantido com o governo e principalmente com a categoria que, por vezes se manteve insatisfeita com a ausência do Poder Público na fiscalização do cumprimento da lei que estabelece a obrigatoriedade da tabela mínima de frete no transporte rodoviário de cargas", afirmou a associação.
A Abcam defendeu que a tabela mínima de frete "tem total presunção de legitimidade e constitucionalidade, logo, as penalidades pelo seu descumprimento também são legítimas e devem ser mantidas".
Também pediu para que o STF se manifeste o quanto antes sobre a legalidade ou não do piso do frete. "Assim, poderemos dar o próximo passo com mais segurança e clareza, seja ele qual for."
José Cícero Rodrigues chegou a afirmar ao Valor, na última sexta-feira (7), que não havia chances de paralisação.
Ele confirmou, porém, que o sindicato está acompanhando atentamente os fóruns pelo WhatsApp e ciente das movimentações. Mas ponderou que o melhor, neste momento, para a toda a categoria, seria aguardar a transição de governo para tomar qualquer decisão.
"Vamos acompanhar o termômetro (de eventuais mobilizações). Mas tem que esperar passar esse trâmite todo, de mudanças de ministérios etc. O presidente eleito nem sequer se pronunciou sobre o assunto", observou o líder sindicalista.
Outra liderança dos caminhoneiros afirmou que, com a ameaça de uma nova paralisação da categoria, o presidente eleito, Jair Bolsonaro, precisará se pronunciar logo sobre os interesses dos caminhoneiros.
"Ele terá que fazer isso pra evitar de segurar uma bomba", afirmou o presidente do Sindicato dos Transportadores Autônomos de Cargas de Volta Redonda e Região Sul Fluminense (Sinditac-VR), Francisco Wild.
O eventual rebaixamento do valor do frete em consequência da suspensão das multas é classificado como "revoltante" por Wild. "A lei existe e tem que ser cumprida."
A decisão do ministro do STF na quinta-feira provocou movimentação entre caminhoneiros por meio de troca de informações pelo aplicativo WhatsApp, com representantes da categoria em todo o país avaliando a possibilidade de nova greve.
"Quem decide parar ou não é a categoria. E as lideranças certamente vão pedir para ele (Bolsonaro) se posicionar. Nosso interlocutor agora é o Osmar Terra (futuro ministro da Cidadania). A ele será pedido a mediação dessa audiência com o presidente eleito", disse Wild.
A greve dos caminhoneiros de maio parou rodovias em todo o país e durou 11 dias. Os prejuízos, segundo cálculos do Ministério da Fazenda, alcançaram aproximadamente R$ 15 bilhões -- ou 0,2% do Produto Interno Bruto.






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