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01/10/2021 - 09h13
Capacidade estática não foi afetada durante pandemia, avalia Centronave
Fonte: Portos e Navios
O Centro Nacional de Navegação Transatlântico (Centronave) avalia que o estoque estático de capacidade do transporte de contêineres não foi alterado durante os quase dois anos de pandemia. A entidade, que representa transportadores de longo curso que operam no Brasil, afirma que não foram retirados navios ou serviços nesse período, a ponto de reduzir a quantidade de equipamentos. O diretor-executivo do Centronave, Cláudio Loureiro, defende que sejam atacados os problemas burocráticos que tornam a circulação mais lenta. Um dos principais problemas logísticos atuais, segundo o Centronave, foi causado pela demanda acima do normal nas economias desenvolvidas, principalmente Estados Unidos e China.
A rota Transpacífico, entre a China e a costa oeste norte-americana, foi a mais afetada, com queda de 4 para 2,5 ciclos completos. Loureiro explicou que o efeito é como se reduzisse a capacidade do sistema, gerando em alguns mercados a percepção de falta de equipamentos. Ele observa que portos como Los Angeles e Long Beach apresentam um histórico de congestionamentos sem precedentes, enquanto há portos chineses que ficaram fechados por questões sanitárias, causando uma fila enorme de navios ao largo esperando para atracar. O executivo destacou que a mudança do padrão de consumo e a grande demanda gerada pelo e-commerce pelo mundo geraram problemas em toda a cadeia logística, não somente no transporte marítimo, como também nos modais terrestres.
Loureiro ressaltou que, apesar dos gargalos e desafios, houve alta de 6,1% nas exportações brasileiras de contêineres entre janeiro e julho deste ano, em comparação com o mesmo período de 2020, totalizando 1,658 milhão de TEUs. Em comparação com igual período de 2019, a alta foi de 9,8%. Na importação, o volume alcançado foi de 1,591 milhão TEUs, 30,8% de aumento sobre os sete primeiros meses de 2020 e 15,9% de alta sobre igual período de 2019.
“Esses dados contradizem a percepção de falta de [contêineres] porque, se faltassem, não se conseguiria acrescentar capacidade. As condições de venda e demanda no comércio exterior estão tão elevadas que se gera sensação de falta porque é uma quantidade acima do normal e acima de períodos anteriores”, analisou Loureiro em entrevista à Portos e Navios. O executivo disse que, com essa demanda exacerbada global, não há como a cadeia logística resistir sem ser impactada.
O Centronave considera que o ritmo da vacinação no mundo contribui com retorno gradativo de algumas atividades que estavam suspensas, mas que ainda é cedo para avaliar quais serão os perfis de consumo nos próximos anos a partir do controle da pandemia. “É uma incógnita o que acontecerá no Natal. A expectativa é que diminua um pouco. Existe perspectiva de termos uma noção mais precisa no segundo trimestre de 2022, depois do ano novo chinês, que ocorre em março. Esperamos a pandemia cedendo, mas não sabemos em que patamar isso vai estacionar”, comentou Loureiro.






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