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08/11/2013 - 03h16
Cargo para novo velho aliado
Fonte: Correio Braziliense
Depois de o Pros se unir ao PP e formar a terceira maior bancada da Câmara, caciques dizem que Secretaria dos Portos será de novo dos irmãos Gomes. Eles negam
Os irmãos e Ciro Gomes, que abriram mão da Secretaria dos Portos quando o PSB desembarcou do governo federal, devem retomar o controle da pasta agora que fazem parte da cúpula política do Partido Republicano da Ordem Social (Pros). A dupla se filiou à legenda, criada há pouco mais de um mês, levando 40 prefeitos cearenses, inclusive o de Fortaleza, Roberto Cláudio. Apesar de não ter especificado a pasta, a presidente Dilma Rousseff confirmou ao comando do partido que eles serão incluídos na reforma ministerial prevista para dezembro. O nome preferido da bancada do Pros para o cargo é o secretário de Saúde do Ceará e ex-ministro, Ciro Gomes.
Dilma já havia comemorado a criação do Pros, que se define como de centro-esquerda e em favor de seu governo. A força da sigla ficou ainda maior depois de o partido anunciar, oficialmente, a criação de um bloco com o Partido Progressista (PP), o que os transformou na terceira maior bancada da Câmara, com 57 deputados — atrás apenas do PT, com 88, e do PMDB, 76. O líder do Pros na Casa, Givaldo Carimbão (AL), disse no evento de ontem que, em conversa na semana passada em que o partido se oficializava como governista, a presidente convidou a legenda para assumir um ministério, sem especificá-lo. “Mas em momento algum nós pedimos um cargo ou condicionamos nosso apoio a isso”, garantiu Carimbão.
Consultada, a bancada da legenda não se opôs ao nome de Ciro como indicado ao possível posto que a presidente Dilma lhes dará. O interesse dos parlamentares agora é com a própria candidatura à reeleição. “Eu e o presidente do partido (Eurípedes Júnior) vamos conversar pessoalmente com o Ciro em Fortaleza, na semana que vem, para tentar convencê-lo a aceitar. Ele tem nível para qualquer pasta”, afirmou Givaldo Carimbão. No meio governista, é consenso de que a indicação para o Ministério terá de partir dos irmãos Gomes, já que o Pros foi criado recentemente e não possui quadros técnicos suficientes para cacifar-se à uma vaga na administração federal.
O governador do Ceará, Cid, e Ciro Gomes, contudo, têm feito charme. Após participar ontem do evento de criação do bloco, Cid negou que ele e seu irmão pensem em retomar cargos no governo de Dilma. “Estamos em uma quarentena, justamente para evitar que nossa saída do PSB e ida para o Pros seja confundida com uma decisão fisiológica”, comentou o governador.
O PP também nega que a união com o Pros tenha sido motivada pela reforma ministerial de dezembro. O partido já comanda o Ministério das Cidades, um dos maiores orçamentos da Esplanada, e não esconde o desejo de herdar também o Ministério da Integração Nacional — a outra pasta que pertencia ao PSB, de Eduardo Campos. “Estamos com força para herdar não só mais um, mas dois ministérios”, completou outra liderança do partido.
A legenda sabe, contudo, que as chances de a Integração Nacional não ser ocupado pelo PMDB — mais precisamente pelo senador Vital do Rêgo (PB), por conta de acordos eleitorais locais — são mínimas. Por isso, segundo apurou o Correio, a legenda se contentaria em assumir a presidência da Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf).
“Estamos em uma quarentena, justamente para evitar que nossa saída do PSB e ida para o Pros seja confundida com uma decisão fisiológica”
Cid Gomes, governador do Ceará, negando a especulação
57
Quantidade de deputados do bloco Pros-PP na Câmara