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17/08/2021 - 09h27

Cenário indica pouco espaço para navegação crescer em 2022, avalia executivo

Fonte: Portos e Navios
 
A DP World Santos avalia que 2021 tem apresentado recuperação maior do que o esperado. O diretor-presidente da DP World Santos, Fabio Siccherino, considera que o acréscimo de 18% dos volumes no Porto de Santos no primeiro semestre surpreendeu positivamente. Ele acredita, no entanto, que sobrou pouco espaço para o mercado de navegação crescer mais em 2022, considerando o cenário atual. Siccherino observa que o mercado de navegação, na importação e na exportação, vem sofrendo com a falta de contêineres e com a falta de capacidade de navios, o que fez com que os fretes disparassem, passando de US$ 1.500 para patamares entre US$ 10.000 e US$ 12.000.
 
“Minha expectativa é crescer próximo ao PIB — entre 2% e 3% — em 2022. Talvez a economia tenha espaço para crescer mais, mas não acredito que teremos capacidade dos navios de contêineres para acompanhar esse crescimento”, comentou Siccherino em entrevista à Portos e Navios. Siccherino relatou que existem navios chegando muito atrasados em Santos, por muitas razões, o que compromete as cadeias globais de valor.
 
A tendência, segundo o executivo, é de crescimento até chegar a uma estabilidade. Ele tomou conhecimento de armadores direcionando navios para rodar em determinadas rotas porque estão precisando de capacidade. “Não acredito que haja espaço para crescer o movimento marítimo para o Brasil, no ano que vem, em função dessas limitações”, analisou.
 
O executivo explicou que os navios precisam cumprir certa rotação nos portos. Como o mercado de carga conteinerizada opera com janela de atracação, se o navio atrasa muitas escalas, pode comprometer seu retorno. Dessa forma, ele entende que as blank sailings (omissões de portos) ocorrem para ajustar os agendamentos. Normalmente, o armador cancela um porto e descarrega em outro próximo. O navio então faz transbordo ou contrata uma navio de cabotagem para tentar se realinhar à agenda programada.
 
A DP World espera melhorias nos acessos terrestre e aquaviário ao Porto de Santos. Siccherino contou que a empresa tem incentivado o modal ferroviário em Santos, principalmente devido aos grandes volumes de celulose que podem ser transportados. Uma composição com 1.400m a 1.500m descarrega toda a celulose que necessitaria de 1.000 caminhões entrando no terminal para completar 50.000 a 60.000 toneladas. Entre os benefícios está a redução da quantidade de agendamentos, de interação humana e de carga e descarga. Siccherino disse que o formato do desvio prevê a construção de uma pêra ferroviária, por meio da qual as composições ferroviárias podem entrar por um lado do terminal, descarregar e sair pelo outro, dando eficiência ao processo.
 
Siccherino disse que a empresa conteve alguns investimentos  em inovação esperando a definição do Reporto para retomá-los em 2022. No curto prazo, a DP World Santos tem buscado melhorar sistemas e automatizar para reduzir a interação e tornar processo mais eficiente e confiável. Ele calculou que, em qualquer investimento em equipamento do porto, entre 50% e 52% do custo do produto são impostos adicionais, considerando a suspensão do regime. Sem o incentivo, um equipamento que custa um milhão de dólares, vai passar a custar um milhão e meio. “Essa questão precisa ser resolvida. Como continuar investindo em tecnologia e inovação para aumentar produtividade se perdemos um benefício desses que tem um peso significativo”, afirmou o executivo.
 
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