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09/09/2016 - 03h47

Centrais protestam contra as reformas

Fonte: DCI
 
Para sindicalistas, Executivo impõe proposta da Previdência e reforma trabalhista que tira direitos; ameaça é de greve geral em caso de mudança sem debate


 
As centrais sindicais aumentam as críticas contra as propostas de reformas trabalhista e previdenciária do governo Michel Temer. Os sindicalistas reclamam da falta de diálogo e ameaçam com uma grande mobilização e até greve geral.
 
A subida de tom contra o governo ocorre após o ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, afirmar que a proposta que será apresentada pelo governo vai trazer a idade mínima para a aposentadoria de 65 anos e equiparar homens e mulheres.
 
A nova regra seria para quem tem menos de 50 anos. Os trabalhadores acima dessa idade continuariam com a regra atual, mas teriam que pagar uma espécie de "pedágio" para o tempo que falta para a aposentadoria.
 
Mulheres e professores teriam atenção diferenciada. Para eles, a idade de transição seria de 45 anos.
 
"Estamos nos preparando para tentar primeiro no diálogo, porque não queremos pressionar nem chantagear. Mas, em última instância, por estar na Constituição, nós pararíamos sim São Paulo", afirmou o presidente da União Geral dos Trabalhadores (UGT), Ricardo Patah.
 
Para Patah, Temer está "descumprindo o compromisso de diálogo" feito antes de ser efetivado no governo.
 
O secretário de Finanças da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Quintino Severo, admite a discussão por uma grande paralisação.
 
"Não se faz greve por vontade própria. Tem que ter um foco muito claro. Se essas propostas vierem para a pauta, a reação dos trabalhadores será bastante forte. É nessa perspectiva que pensamos em uma greve geral", disse. Ele se refere também à proposta de reforma trabalhista que está no Congresso e é apoiada pelo governo, em que os trabalhadores de atividades-fim poderiam ser contratados como terceirizados.
 
Quintino é contra equiparar homens e mulheres e aumentar a idade mínima para aposentadorias. "A grande maioria das pessoas começa a atuar no mercado de trabalho muito cedo. Eles chegarão aos 65 anos com uma capacidade de vida muito reduzida", afirma.
 
PT contra propostas
 
Em reunião na última sexta-feira (2), o PT divulgou uma resolução que, entre outras coisas, sai em defesa de novas eleições, da ex-presidente Dilma Rousseff e contra a gestão Temer.
 
Um dos aspectos dos documentos critica justamente as reformas econômicas. "A Comissão Executiva Nacional do Partido dos Trabalhadores, nestas circunstâncias, convoca sua militância para, junto ao movimento sindical, contribuir e participar da resistência às medidas neoliberais de retirada de direitos, materializadas nas reformas previdenciária e trabalhista, além da PEC do Estado Mínimo", afirma.
 
De acordo com o deputado Paulo Teixeira (PT-SP), o documento teve o aval do ex-presidente Lula. "Eles não estão apresentando uma proposta pactuada com as centrais para resolver o problema etário. Querem colocar uma reforma para tirar direitos", declarou o deputado ao DCI.
 
Com o documento, o PT defende de forma clara a proposta de novas eleições. "A mobilização da classe trabalhadora por sua pauta é parte integrante e fundamental do movimento contra o governo usurpador e por novas eleições presidenciais", diz outro trecho.
 
"O impeachment foi a retirada do voto popular. É preciso que se construa a lógica democrática e só eleições diretas poderiam dar essa legalidade", afirmou o presidente municipal do PT, Paulo Fiorilo.
 
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