Notícias
25/04/2016 - 02h19
Centrais sindicais preparam estratégias sobre quadro atual
Fonte: O Estado de S. Paulo
CUT deve pressionar Senado contra processo contra Dilma, enquanto petroleiros avaliam convocar greve geral


As principais centrais sindicais do País ainda não definiram as próximas ações após a decisão do Congresso na noite de domingo, 17, mas algumas falam em questionar a legitimidade de um eventual governo Temer. A Central Única dos Trabalhadores (CUT) avaliou em reuniões nas últimas terça, 18, e quarta-feira, 19, com outros grupos contrários à saída da presidente Dilma Rousseff, como a Frente Brasil Popular e a Frente Povo sem Medo, medidas para pressionar o Senado a votar contra o impeachment.
Por enquanto, a entidade decidiu realizar um ato no dia 1.º de Maio, na Avenida Paulista, com a presença de políticos e artistas chamado de Assembleia Nacional da Classe Trabalhadora. “A ideia é fazer um grande 1.º de Maio para derrubar a ponte e garantir o futuro do País”, disse Adilson Araújo, presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), aliada da CUT. Ele faz referência ao programa “Uma ponte para o futuro”, do PMDB do vice-presidente Temer. “Vamos lutar muito para barrar o processo de impeachment”, afirmou.
A Força Sindical, comandada pelo deputado do Solidariedade, Paulo Pereira da Silva, optou por não se posicionar contra ou a favor do impeachment porque seus filiados estão divididos. “Estamos preocupados com ações do meio empresarial junto a um possível novo governo com propostas contra os interesses dos trabalhadores”, declarou João Carlos Gonçalves, o Juruna, secretário-geral da entidade.
A Força mantém a festa do 1.º de Maio na Praça Campo de Bagatelle, zona Norte de São Paulo, no mesmo perfil de anos anteriores. A União Geral dos Trabalhadores (UGT) também não declarou apoio aberto contra ou a favor do afastamento de Dilma. O Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, filiado à CUT, prepara ato para o 1.º de Maio no Estádio Poliesportivo, em São Bernardo do Campo (SP) com o tema principal voltado à questão do emprego. Na segunda, o Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, ligado à Força, afirmou que não aceitará qualquer mudança na CLT.
Greve. Já os petroleiros estudam entrar em greve geral em reação à vitória do impeachment no Congresso. Lideranças da Federação Única dos Petroleiros (FUP) definiram na última terça-feira (19) um cronograma de mobilizações. “Com certeza teremos grande adesão. Nas áreas operacionais, o tema da privatização da empresa reúne toda a categoria contra um governo sem legitimidade”, afirmou Deyvid Bacelar, diretor da FUP. “Se querem ver o que podemos fazer, não vão conseguir governar”, reforçou.
Representante da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes e Logística, João Paulo Estausia disse que, numa eventual confirmação no Senado do afastamento de Dilma, o movimento sindical não reconhecerá um governo Temer. “Ele não tem legitimidade para assumir. Se isso ocorrer, vamos desestabilizar o novo governo”, afirmou.