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03/06/2014 - 01h25
Cipp terá maior demanda por técnicos, aponta estudo da CNI
Fonte: Diário do Nordeste

O Complexo Industrial e Portuário do Pecém (Cipp) desponta como vasto campo de oportunidades profissionais para os cearenses. Mas ao contrário da expectativa de criação de altos postos de trabalho a serem ocupados por profissionais graduados, remunerados com robustos salários, a maior demanda das indústrias do Cipp será por técnicos e operadores para trabalhar no chão de fábrica, porém, muito bem qualificados e salários melhores em relação aos setores de Serviços e Comércio.

O Complexo Industrial e Portuário do Pecém (Cipp) desponta como vasto campo de oportunidades profissionais para os cearenses. Mas ao contrário da expectativa de criação de altos postos de trabalho a serem ocupados por profissionais graduados, remunerados com robustos salários, a maior demanda das indústrias do Cipp será por técnicos e operadores para trabalhar no chão de fábrica, porém, muito bem qualificados e salários melhores em relação aos setores de Serviços e Comércio.
De acordo com o estudo "Mercado de Trabalho: o desenvolvimento profissional e a região do Cipp", da Confederação Nacional da Indústria (CNI), que foi apresentado nesta terça-feira, na Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec); no ano passado, 90% das indústrias na região do Cipp declararam ter problemas com a falta de mão de obra qualificada, para atuar como operadores de produção.
Cerca de 80% delas demandavam técnicos para a produção, enquanto 68% e 67%, demandavam profissionais para as áreas administrativa e vendas/marketing, respectivamente.
Outros 61% apontaram a falta de engenheiros para a produção, 60% de executivos para cargos gerenciais e 59% de profissionais nas áreas de pesquisa e desenvolvimento.
Dentre os maiores desafios para se atingir um nível desejável de qualificação profissional com vistas à competitividade, 49% das indústrias apontaram que a má qualidade da educação básica é o maior obstáculo para a qualificação do trabalhador.
Funções mais demandadas
Considerando as ocupações técnicas com maiores salários e demandas mais representativas, o estudo aponta funções de supervisor da construção civil; técnico em eletricidade e eletrotécnica; técnico de desenvolvimento de sistemas e aplicações; técnico em segurança do trabalho; técnico em edificações; técnico em telecomunicações; supervisor na confecção de calçados; técnico mecânico na fabricação e montagem de máquinas, sistemas e instrumentos; supervisor em serviços de reparação e manutenção de máquinas e equipamentos; e técnico de laboratório industrial. Nessas funções, os salários variam de R$ 1.537,90, no primeiro emprego, até R$ 9.326,85 para trabalhadores com 10 anos ou mais de experiência, sendo que a média geral é de R$ 2.464,80.
Para o assessor da CNI, Márcio Guerra Amorim, "o Cipp trará oportunidades para trabalhadores de nível técnico e também outras profissões que são cruciais e que terão mais volume de empregos, que são os operadores, pessoas que trabalham no chão de fábrica. E com salários bastante atrativos, salários iniciais e também ao longo da carreira bem melhores do que o setor de serviços e comércio", diz.
Mais cursos técnicos
Mas o maior destaque do estudo da CNI, segundo Márcio Amorim, é o curso técnico. "Os profissionais de nível técnico vão ter uma demanda bastante grande. E eles tem um papel fundamental para o desenvolvimento das empresas, para o processo de produtividade e para o crescimento do Estado", alerta.
Formação pelo Senai
De acordo com o diretor regional do Senai/CE, Fernando Nunes, o estudo ratifica a linha de atuação do Senai. O órgão, segundo ele, está pronto para o desafio de formar profissionais para o Cipp e este ano prevê capacitar 76 mil trabalhadores. "O Brasil não se movimenta só com doutores. Ele precisa realmente de mão de obra especializada, de técnicos que possam supervisionar o chão de fábrica", avalia Nunes.
'Emprego decente'
O secretário do Trabalho e Desenvolvimento Social (STDS), Josbertini Clementini, reconheceu a necessidade de ampliação dos investimentos na qualificação profissional da mão de obra cearense, mas frisou a defesa do trabalhador em relação ao trabalho precário, seja qual for a função ou o setor econômico.
"Não tenho dúvida que precisamos investir muito em qualificação. Mas é importante lembrar que o trabalho descente tem que pautar toda e qualquer ação no estado do Ceará na intermediação da mão de obra, como também na qualificação profissional", afirmou.
Oportunidades na CSP
Além de priorizar a contratação de técnicos e operadores, a Companhia Siderúrgica do Pecém (CSP) pretende dar mais oportunidades para jovens no primeiro emprego e aprendizes. Na fase de instalação a perspectiva da Companhia é atingir 11 mil empregos, enquanto na operação são projetados três mil, entre diretos e indiretos.
"Desses três mil, teremos que trazer 20% de fora, que são profissionais especializados em siderurgia, que a gente ainda não encontra no Ceará, mas os 80% restantes são empregos locais", garante, o diretor de recursos humanos da CSP, Júlio Castro.
O perfil da mão de obra apta a trabalhar na CSP, segundo Castro, é de pessoas com cursos em inglês, formação técnica, com facilidade para o trabalho em equipe e nas relações interpessoais.