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09/01/2017 - 06h27
Com crise, mais de metade das greves foram originadas na esfera pública
Fonte: Folha de S. Paulo


As greves de trabalhadores do setor público foram mais frequentes e longas que as dos empregados na esfera privada no ano passado, aponta projeção do Dieese (departamento intersindical de estatística e estudos sociais).
A duração média das paralisações dos servidores foi 2,5 vezes maior que a dos empregados com carteira assinada.
Os dados de 2016 não foram todos tabulados, mas, segundo o órgão, aconteceram cerca de 2 mil greves —mais da metade (55%) de servidores, que representam 12% da força de trabalho do país, de acordo com o IBGE.
As interrupções de trabalho foram menos numerosas no setor privado por conta do aumento do desemprego, diz Hélio Zylberstajn, da USP.
"O poder de barganha dos trabalhadores diminuiu, as posições foram menos duras e houve menos impasses. No setor público tem estabilidade, e é impopular reprimir os servidores", afirma.
As empresas precisam resolver a situação com rapidez ou perdem dinheiro. No setor público, a pressão é política, segundo Zylberstajn.
A crise mudou também a motivação das greves em ambos os setores, afirma Clemente Ganz Lúcio, diretor técnico do Dieese.
"Foram muitas disputas de natureza defensiva, para ter os salários pagos, e, em anos anteriores, eram casos de reivindicações para conquistar novos direitos."