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03/08/2017 - 05h15

Commodities puxam aumento de 15% nas exportações para países árabes

Fonte: DCI


 
Mas estabilização prevista para os preços dos básicos pode frear avanço dos embarques no final deste ano; efeitos da Operação Carne Fraca também prejudicam a evolução das vendas do Brasil
 
As exportações para os países árabes subiram 15,54% no primeiro semestre deste ano e chegaram a US$ 6,05 bilhões. Os dados são do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (Mdic) e foram compilados pela Câmara de Comércio Árabe-Brasileira.
 
Os três principais destinos das exportações seguiram trajetória positiva no período. Líder do ranking, a Arábia Saudita gastou US$ 1,37 bilhão com produtos brasileiros, um aumento de 11% na comparação com a primeira metade do ano passado. Subiram também as vendas para Emirados Árabes Unidos (10,98%, para US$ 1,08 bilhão) e Argélia (26,44%, para US$ 684,70 milhões).
 
Dominada por commodities, as exportações devem continuar em alta nos próximos meses, mas podem perder fôlego durante o ano que vem, afirma especialista em comércio exterior.
 
"Os preços do açúcar e do minério de ferro cresceram muito na comparação com o ano passado, o que vai manter os ganhos no segundo semestre [de 2017]", diz José Augusto de Castro, presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB).
 
Para 2018, entretanto, o entrevistado acredita em uma queda no preço do açúcar - "a produção mundial deve aumentar" - e não espera uma nova disparada do minério - "ainda que a trajetória [do produto] seja uma grande incógnita", disse.
 
Outra commodity que não deve avançar é a carne, aponta Castro. "Depois da [operação] Carne Fraca, o preço e a regularidade das nossas exportações [desse produto] pioraram bastante", observou.
 
Dessa forma, segue ele, seria necessário um aumento das vendas de manufaturados para que a expansão das exportações continuasse no longo prazo. Porém, a expectativa para essas mercadorias não é boa. "Existe demanda por bens industrializados nos países árabes, mas nossos preços são pouco competitivos. Como temos altos custos de produção, não conseguimos enfrentar os chineses e os europeus, que ainda contam com a vantagem geográfica", explica ele.
 
No primeiro semestre, o item mais exportado para os árabes foi o açúcar, que garantiu US$ 2,137 bilhões para os produtores brasileiros, um avanço de 53,1% ante igual período do ano passado. Na segunda posição, a carne gerou US$ 1,779 bilhão, uma queda de 2,7%. Em seguida, o minério de ferro totalizou US$ 564 milhões, uma alta de 132,6%.
 
Somados, os manufaturados mais vendidos - produtos químicos inorgânicos, veículos e partes e material de defesa - forneceram US$ 412,5 milhões para a indústria brasileira entre janeiro e junho deste ano.
 
Recuo da carne
 
Diretor-geral da Câmara Árabe, Michel Alaby afirma que o recuo nas exportações de carne é pequeno diante dos problemas enfrentados neste ano. Segundo ele, a câmara está trabalhando em conjunto com o Ministério da Agricultura para reverter os problemas derivados da Carne Fraca.
 
Além da operação deflagrada em março, uma queda generalizada nas vendas para o Egito prejudicou os embarques da proteína animal do primeiro semestre, acrescenta Alaby. Na quarta posição entre os principais destinos das exportações brasileiras, o país africano reduziu em 25,23% as suas compras entre janeiro e junho. "O Egito vive grande problema econômico", explica ele.
 
Sobre o quadro atual dos países árabes, o entrevistado afirma que alguns países, como Síria e Iêmen, vivem conflitos internos que impedem uma melhora das trocas internacionais. Ainda assim, ele acredita que o crescimento econômico da região deve ganhar força nos próximos anos, o que poderia favorecer as negociações com o Brasil.
 
Além do Egito, foram registradas quedas nas exportações para Mauritânia (-26,3%), Síria (-30,4%), Sudão (-41,9%) e Ilhas Comores (-45,5%). Já os principais aumentos foram vistos nas vendas para Djibuti (280,3%), Bahrein (88,3%), Catar (85,8%) e Omã (57,4%).
 
Importações em alta
 
As compras brasileiras de produtos árabes também cresceram na comparação com o primeiro semestre de 2016. Com uma alta de 26,9%, os gastos chegaram a US$ 2,66 bilhões.
 
A Argélia foi o principal fornecedor, com US$ 1,3 bilhão, ou quase 40% das exportações árabes no período. Arábia Saudita, Marrocos e Catar também apareceram entre os que mais venderam para o Brasil.
 
Chama atenção o aumento de 411,6% nas aquisições de mercadorias do Egito (para US$ 96,6 milhões), que foi garantido pelo avanço nas importações de adubos e fertilizantes, combustíveis minerais e azeitonas em conserva.
 
Também subiram as compras de nações menores, como Djibuti (4.203%) e Palestina (2.855%), enquanto que houve queda nas importações de Somália (-98,1%), Iêmen (-85,4%), Emirados Árabes Unidos (-69,8%).
 
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