Notícias

06/08/2018 - 04h35

Conseguir emprego depois dos 50 anos é desafiador, mas não impossível

Fonte: A Tribuna On-line
 
Profissionais que não almejam se aposentar ou abrir um negócio devem focar na atualização do currículo e em empresas mais tradicionais

 
O número de pessoas entre 50 e 64 anos atuando no mercado formal de trabalho cresceu cerca de 30% entre 2010 e 2015, segundo dados da Relação Anual de Informações Sociais (Rais), divulgado pelo Ministério do Trabalho. Uma pesquisa do Datafolha, de março, mostrou que a fatia de brasileiros com 60 anos ou mais empregados ou em busca de vaga passou de 20% para 26% do total entre 2007 e 2017. A tendência é que esses números aumentem ainda mais com o envelhecimento progressivo da população, que era de 606 milhões nos anos 2000 e deve atingir, em 2050, o patamar de cerca de 2 bilhões de pessoas, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS).
 
Quem está desempregado, já passou dos 50 anos e não almeja se aposentar em breve ou investir em um negócio próprio deve focar na atualização do currículo e nas vagas abertas em empresas mais tradicionais. Segundo Isis Borge, gerente de recrutamento da Robert Half, empresa de consultoria de Recursos Humanos, é um pouco mais desafiador recolocar-se profissionalmente nesta idade, mas não impossível.
 
Quando temos profissionais na faixa dos 50 anos anos buscando uma nova oportunidade de trabalho, o foco deve ser em empresas que tenham líderes seniores também e que, consequentemente, valorizem a experiência profissional dos colaboradores mais maduros. Empresas mais tradicionais costumam ser mais abertas a esse perfil do que startups ou empresas mais novas”, explica Isis.
 
Ainda segundo a profissional, algumas buscam colaboradores mais seniores e outras buscam por profissionais mais jovens. Não existe uma regra na busca pelo profissional. “Existe espaço para todos no mercado”, pontua a gerente de recrutamento.
 
Entre as principais dificuldades que uma pessoa acima dos 50 anos enfrenta estão o receio da empresa achar que o colaborador vai querer se aposentar logo ou de que o contratado não tenha mais o mesmo pique ou energia que profissionais mais novos. “O desafio é mostrar que ainda existem muitos anos de trabalho pela frente e que profissionais mais seniores muitas vezes têm tanta energia ou mais que os mais novos”.
 
Qualificação constante
 
E se os mais novos devem manter o currículo atualizado, o mesmo ocorre com quem tem mais de 50 anos. A qualificação profissional deve ser aprimorada constantemente com a realização de novos cursos e participações em seminários, por exemplo.
 
E em uma entrevista de emprego, é preciso ter foco: a recomendação é ser objetivo, falar sobre as experiências dos últimos anos da carreira, e não desde quando era estagiário.
 
"Produtivos por toda a vida"
 
Osmar Versuti tem 56 anos e segue trabalhando. Desde setembro de 2016, ano em que se mudou para Santos, ele atua como farmacêutico em uma loja da Drogaria São Paulo na Cidade.
 
Versuti conta que não estava desempregado quando iniciou as atividades na unidade da empresa no Gonzaga. Para ele, seguir trabalhando após os 50 anos é importante. "Acredito que estar ativo no mercado de trabalho é fundamental para que possamos nos sentir produtivos por toda vida. O trabalho, além da fonte de renda, é importante para o bem estar e a saúde psíquica e emocional da pessoa".
 
"Se sentir produtivo promove saúde e alegria para viver, portanto felicidade"
Osmar Versuti, 56 anos
 
Em nota, a empresa explica que conta, desde 2017, com o programa Farma 50+, que visa a contratação de farmacêuticos acima dos 50 anos.
 
Compartilhando a experiência
 
Acreditando no potencial dos profissionais mais velhos, um grupo de pessoas criou a Associação Mature Talents (AMT) com o objetivo de oferecer às empresas a experiência adquirida ao longo dos anos em diversas áreas de atuação.
 
Para o publicitário Luís Sérgio Mesquita, um dos incentivadores da AMT, a associação quer preencher uma lacuna no mercado de busca por experiência e, ao mesmo tempo, ajudar na formação de jovens que possuem talento. “Nos últimos anos, as empresas investiram muito em programas de trainees e estágio, mas os participantes, com uma mentalidade mais imediatista, nem sempre têm permanecido nas empresas, comprometendo a própria existência delas no longo prazo”, diz.
 
Para ele, os profissionais mais experientes podem ser benéficos às empresas porque adquiriram a capacidade de aliar a visão de longo prazo que as companhias precisam para manterem suas operações saudáveis. "Os profissionais maduros conseguem auxiliar não apenas em soluções de gestão, mas, também, na preparação dos futuros profissionais. Isso sem contar com um perfil mais paciente e resiliente, bem como sua disposição para se dedicar na resolução de problemas e visão mais ampla da empresa e do mercado onde ela atua", avalia.
 
Imprimir Indique Comente

« Voltar

Galeria de
Imagens

Ver todas