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06/09/2017 - 03h22
Contas inativas do FGTS e inflação baixa ajudam famílias a gastarem
Fonte: Jornal Nacional
De abril a junho, consumo teve alta de 1,4%, a primeira em nove trimestres. Mercado agora acredita que o PIB poderá crescer até 1% em 2017.
A liberação dos saques das contas inativas do FGTS e a inflação mais baixa deixaram mais dinheiro no bolso das famílias e o consumo delas puxou a economia.
Estudante de economia e desempregado, Vinicius sente na pele o que vê na faculdade. Na última sexta-feira (1), ele e a mãe compraram um computador e um secador de cabelo em 10 longas prestações.
Jornal Nacional: Você está confiante como consumidor, pelo menos?
Vinicius: De certa maneira sim, mas ainda com muito receio.
Em uma economia que acelera com o freio de mão puxado, o consumo teve alta de 1,4% de abril a junho. Foi o primeiro aumento depois de nove trimestres.
O brasileiro gastou mais com eletrodomésticos, roupas e sapatos, e material de construção. “As pessoas realmente voltam a consumir para reparo, para reforma de suas casas. A gente tem percebido mais clientes nas lojas consumindo mais”, conta o diretor comercial Rinaldo Ramires.
O consumo das famílias representa mais de 60% do PIB. Dessa vez, ele reagiu por causa de uma combinação de fatores: redução dos juros, do endividamento, queda da inflação, principalmente dos preços dos alimentos. Assim, muitas famílias tiveram um pequeno alívio no bolso, que se traduziu em mais disposição para comprar.
O estímulo extra veio das contas inativas do FGTS. O analista de sistemas Anderson Borges sacou quase R$ 1,5 mil. “Comprei umas ferramentas, ajudei minha mãe e levei a minha família para dar um passeio, um jantar assim com o dinheirinho que entrou”, diz.
O mercado agora acredita que o PIB pode crescer até 1% em 2017. O otimismo ajudou o principal índice da Bolsa de São Paulo a fechar com alta de 1,54%, no maior patamar desde 2010. “Esse consumo das famílias retomando garante aí a continuidade do crescimento econômico para os próximos trimestres. Não vai ser um trem bala, mas vai ser devagar e sempre”, explica a economista do Santander Tatiana Pinheiro.
A economista não vê mais o risco do chamado efeito "W", quando a economia cai e melhora, cai e melhora. Até 2018, ela espera o gráfico do PIB em forma de "V", sem recaídas. Mas, para o crescimento ser duradouro, é essencial aumentar o investimento, que está no menor nível desde o ano 2000: 15,5% do PIB, longe do patamar ideal, que é acima dos 20%.
A maior parte da obra de um corredor de ônibus na Grande São Paulo está parada. Com portos ultrapassados e estradas esburacadas, o caminho da retomada fica mais longe.
“Assim como as pessoas, se não houver investimento, não tem como crescer. Pensa em infraestrutura. As estradas muito ruins encarecem o transporte. Com transporte mais caro, as mercadorias ficam mais caras e os resultados ficam menores. Para crescer, é preciso ficar mais produtivo, por isso que investimento é chave”, avalia o economista da MB Associados José Roberto Mendonça de Barros.