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23/06/2016 - 09h33
Copersucar voltou a lucrar no ciclo 2015/16
Fonte: Valor Econômico
Etanol assegurou 29% das receitas da Copersucar na safra passada, diz Souza


O início da recuperação do setor sucroalcooleiro na safra passada embalou os resultados da Copersucar, maior trading de açúcar e etanol do mundo, mas o mesmo não ocorreu com a Alvean, joint venture para o segmento de açúcar na qual a companhia tem 50% de participação ao lado da americana Cargill.
A Copersucar alcançou um lucro líquido de R$ 32 milhões no ano-safra 2015/16, encerrado em 31 de maio, após um ciclo com prejuízo de R$ 8,4 milhões. O resultado teve forte contribuição do aumento das receitas, que avançaram 25%, para R$ 26,3 bilhões.
O destaque ficou por conta das operações de etanol, segundo Paulo Roberto de Souza, diretor presidente da Copersucar. Do faturamento total, as operações da Eco-Energy Biofuels, comercializadora de etanol nos EUA, contribuíram com 47%. Essa receita foi obtida com a negociação de 8,5 bilhões de litros do produto, alta de 13%. A expectativa é que na safra atual esse volume cresça entre 5% e 10%, o que significaria uma movimentação de até 9,35 bilhões de litros.
A venda de etanol pela Copersucar, concentrada no mercado doméstico, assegurou 29% das receitas da safra passada. A companhia negociou ao longo da safra 5 bilhões de litros, dos quais 4,3 bilhões no Brasil. O volume total superou em 16% o comercializado no ciclo anterior graças ao aumento da demanda, favorecida pelo retorno da cobrança da Cide sobre a gasolina.
Parte desse volume maior também foi carregado para a entressafra, quando os preços do etanol estão mais altos. "Nesse ano, além do fluxo normal, foram [negociados na entressafra] 500 milhões de litros de etanol adicionais", afirmou Souza em teleconferência com jornalistas.
A comercialização de açúcar, por sua vez, não foi o ponto forte do resultado da trading na safra passada. Embora as cotações internacionais da commodity tenham começado a reagir no segundo semestre de 2015, esse foi justamente o período em que a Alvean – que operou pela primeira vez uma safra completa – teve resultados negativos que anularam os ganhos do primeiro semestre. No cômputo da safra, a Alvean não registrou nem lucro, nem prejuízo.
A Copersucar não revelou qual foi sua política de fixação de preços do açúcar, mas ressaltou que o volume negociado pela joint venture alcançou 11,5 milhões de toneladas. Com isso, a nova trading lidera a comercialização de açúcar no mundo, com 30% de participação de mercado. O volume aproximou-se da meta estabelecida para a Alvean em três anos, de 12 milhões de toneladas.
Segundo o diretor presidente da Copersucar, essa meta deverá ser batida na safra atual, quando se espera que o volume de açúcar vendido pela joint venture aumente entre 10% e 15%. A maior parte desse crescimento deve vir da produção do Centro-Sul. Na safra 2015/16, o açúcar brasileiro negociado pela Alvean totalizou 5 milhões de toneladas.
Os desembolsos com investimentos foram mais modestos na safra, até porque, na temporada precedente, a Copersucar desembolsou um volume expressivo para capitalizar a Alvean. Por isso, no ciclo 2015/16, os aportes caíram 62,8%, para R$ 265,2 milhões.
Desse montante, R$ 180 milhões foram direcionados à Eco-Energy, que adquiriu um terminal de transbordo nos EUA e iniciou a construção de outros três naquele país. O recurso também foi usado para elevar a participação da Copersucar no negócio, que passou para 77% no fim da safra passada e já está em 89%, após um novo aporte em abril.
Os demais R$ 80 milhões foram investidos na conclusão do Terminal Açucareiro da Copersucar (TAC), do porto de Santos, e do Terminal Copersucar de Etanol (TEC), que foi interligado com a Refinaria de Paulínia. Antes da interligação, o terminal operava com 40% de capacidade, e agora opera com capacidade plena, de 180 bilhões de litros.
O terminal portuário, por sua vez, movimentou 6,2 milhões de toneladas de produtos no ciclo 2015/16. A meta para esta safra é movimentar 8 milhões de toneladas, com 6,5 milhões de toneladas de açúcar e 1,5 milhão de toneladas de grãos.
A Copersucar encerrou 2015/16 com endividamento líquido de estoques (descontado o valor dos produtos em estoque no último dia do exercício) de R$ 1,1 bilhão, queda de 28% em relação à safra anterior.