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10/03/2014 - 01h59
Crise argentina derruba exportações brasileiras
Fonte: Gazeta do Povo

A crise argentina começa a espirrar nos parceiros comerciais, a começar pelo Brasil. Em janeiro, as exportações brasileiras para o país vizinho caíram 14% em relação ao mesmo mês de 2012. O cenário para os próximos meses não é otimista. Em dezembro, a Argentina anunciou um corte de 27,5% nas importações do setor automotivo; além disso, a alta do câmbio deixou os importados mais caros para o consumidor argentino.

A crise argentina começa a espirrar nos parceiros comerciais, a começar pelo Brasil. Em janeiro, as exportações brasileiras para o país vizinho caíram 14% em relação ao mesmo mês de 2012. O cenário para os próximos meses não é otimista. Em dezembro, a Argentina anunciou um corte de 27,5% nas importações do setor automotivo; além disso, a alta do câmbio deixou os importados mais caros para o consumidor argentino.

Na avaliação de Zurcher, se a crise se aprofundar e a Argentina não tiver divisas suficientes para acertar as compras com o resto do mundo, haverá uma queda muito forte nas exportações brasileiras.
Mercado automotivo
O Brasil é o principal fornecedor de veículos e peças para a Argentina, e boa parte dessas vendas são feitas por empresas instaladas no Paraná. Depois de subir 9% de 2012 para 2013, as exportações brasileiras de veículos e peças para a Argentina caíram 11% em janeiro, em comparação a igual período do ano passado. Por enquanto, as montadoras e fabricantes de autopeças do Paraná ainda não acusaram o golpe: as vendas do início do ano tiveram forte aumento de 22%, dando sequência à alta de 17% ocorrida de 2012 para 2013.
Porém, o mesmo resultado não se repetiu no setor de máquinas e aparelhos mecânicos, o segundo do estado em receita de exportações para a Argentina: em janeiro, o faturamento dos exportadores despencou 28%. O setor de papel, o terceiro do ranking, saiu-se bem, com aumento de 4% nas exportações em janeiro.
O presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro, acredita que a crise na Argentina tende a piorar e que deve prejudicar o Brasil. Além de frear a entrada de automóveis e autopeças, o governo de Cristina Kirchner não tem pressa em autorizar a entrada de produtos brasileiros. A demora na liberação da Declaração Juramentada Antecipada de Importação (Djai), obrigatória para compras externas, é uma das barreiras. Outro entrave refere-se à dificuldade para trocar pesos por dólares para quitar as importações.
Castro prevê que os argentinos reduzam suas importações totais em US$ 5 bilhões neste ano. Desse total, US$ 3 bilhões se referem a produtos brasileiros – o equivalente a 15% do que o Brasil exportou para o país vizinho em 2013. “E tudo isso torcendo para que a Argentina não declare moratória”, diz.
Dependência
País é o 2.º parceiro comercial do Paraná
Na soma de exportações e importações, a Argentina é o terceiro maior parceiro comercial do Brasil, atrás de China e Estados Unidos.
No ano passado, as empresas brasileiras exportaram US$ 19,6 bilhões para o país vizinho (o equivalente a 8% do total), e importaram US$ 16,4 bilhões (7% do total).
Para o Paraná, a Argentina é ainda mais importante. O país é o segundo parceiro do estado, depois da China. Em 2013, os argentinos compraram US$ 2 bilhões em produtos paranaenses (11% do que o estado exportou), principalmente industrializados. Em direção oposta, o estado comprou US$ 2,3 bilhões da Argentina (11% de todas as importações).
O governo brasileiro vê a situação com cautela. Para Daniel Godinho, secretário do Ministério do Desenvolvimento, é preciso mais tempo para avaliar a queda nas exportações.

