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09/06/2016 - 11h49

Cubatão busca retomada da Usiminas

Fonte: Valor Econômico
 
 
A Prefeitura de Cubatão, na Baixada Santista, trabalha para reativar a siderúrgica da Usiminas, cujo encerramento da produção do aço, no início do ano, gerou uma das maiores crises na região. O município tinha na empresa a principal fonte de arrecadação e de emprego. A prefeita Marcia Rosa (PT) recebeu o presidente do grupo Ternium no Brasil, Paolo Bassetti, que acenou com a intenção de reativar a unidade.
 
"Eu quero, eu preciso, eu acredito na siderúrgica", disse o executivo no encontro, segundo relato da prefeita. A Ternium recuperaria tudo o que foi desativado e ainda expandiria serviços, via o terminal portuário próprio próximo à usina e às margens do porto de Santos.
 
Segundo uma fonte, com menos de US$ 200 milhões a Ternium retomaria todas as operações, mas importando coque metalúrgico.
 
Contudo, isso só vai acontecer com o provável desfecho de separação dos ativos da Usiminas entre a Ternium-Techint e a sócia Nippon Steel & Sumitomo. As duas companhias são as controladoras da siderúrgica e, numa eventual separação, a Ternium estaria disposta a ficar com esse ativo.
 
A Nippon Steel, nesta semana, já admitiu que a separação é o caminho mais viável, entre outras alternativas, para pôr fim ao litígio travado há dois anos entre as duas companhias. A Ternium, em carta de seu chairman e principal acionista, Paolo Rocca, de março, afirmou que uma solução definitiva para o impasse passa pela cisão da empresa e suas unidade de produção, ou a venda de participações acionárias dos sócios.
 
A prefeita cubatense informou que recebeu Bassetti em março em seu gabinete. Eles já tinham se falado algumas vezes ao telefone, num esforço de Rosa em estabelecer diálogo com os acionistas para tentar reverter a decisão do então presidente da siderúrgica, Rômel Erwin de Souza, de fechar as instalações primárias da Usiminas. Uma vez tomada a decisão, a retomada necessitaria de um prazo mínimo de seis meses.
 
Segundo Rosa, a Ternium teria visto em Cubatão boas oportunidades, com destaque para a proximidade da indústria paulista - maior mercado consumidor - e o terminal portuário. A estrutura em Cubatão de um complexo de produção-exportação daria à Ternium uma situação de competição nada desprezível, permitindo atingir mercados novos e suprir seus negócios na América do Norte.
 
Rosa disse ao Valor que a Prefeitura pode oferecer apoio à Ternium para a retomada da usina, mas que existem questões que precisam ser discutidas. Uma delas é a negociação de supostas dívidas da Usiminas com a Prefeitura. "Com a mudança de presidente e de acionista, o diálogo vai ser outro", afirmou, numa referência às prováveis alterações na composição acionária da Usiminas e de um novo executivo.
 
O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos da Baixada Santista, Florêncio de Sá, torce para que a Ternium assuma e reabra a usina, mas é mais cético. "Não tem essa definição ainda. A Ternium assumiu o compromisso desde que assuma o controle da usina de Cubatão. Essa definição ainda não está tomada, até porque a Nippon Steel está questionando a eleição do novo presidente". O grupo japonês entrou com ação na Justiça de Minas para anular a eleição.
 
A Usiminas em Cubatão, antiga Cosipa, é âncora de empregos da cidade e região e maior pagadora de impostos. Em 2015, foi responsável por 18% dos R$ 538 milhões arrecadados entre ICMS (valor aproximado), ISS, IPTU. A situação da cidade piorou muito desde o encerramento da fabricação de aço, no fim de janeiro. "A cidade está extremamente comprometida. Contingenciei 30% de contratos e alguns cortei", disse Rosa.
 
Desde o anúncio de fechamento, em outubro, a prefeita tentou contato direto com os acionistas. "Entendo que nenhum grupo iria tratar a questão de forma tão leviana", disse Rosa, numa referência à forma com que o então presidente, Rômel de Souza, conduziu o fechamento, comunicado a ela por telefone. "O processo foi extremamente traumático, muito rápido e sem diálogo. Nenhum país do mundo cresce e garante competitividade no mercado externo e interno sem siderurgia. Não existe isso, tanto que outras não fecharam. Passar dificuldade todos passam".
 
Entre empregos diretos e indiretos foram eliminados nove mil postos desde outubro, estima-se, sendo 4 mil diretos e 5 mil de empresas terceirizadas que atuavam dentro da usina. Fora as perdas na cadeia que atingem a região da Baixada Santista como um todo. "De um dia para o outro 1 mil motoristas ficaram desempregados".
 
Antes do fechamento, o posto de atendimento ao trabalhador (PAT) de Cubatão, que divulga a lista de vagas disponíveis, recebia de 30 a 40 pessoas por dia. Hoje são mais de 300 pessoas.
 
A Usiminas manteve em operação apenas os laminadores de bobinas e chapas a quente e a frio. Desde maio de 2015, foram paralisados sinterização, altos-fornos e aciaria e desativada a coqueria. A usina pode fazer 5 milhões de toneladas de aço bruto por ano.
 
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