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14/11/2014 - 02h13
Decisão do Vaticano vai fechar 500 empregos na Itália
Fonte: Reuters
Cerca de 500 postos de trabalho serão fechados. Santa Sé vai centralizar negócio

Cerca de 500 postos de trabalho serão fechados. Santa Sé vai centralizar negócio

O calígrafo Rino Pensa passou os últimos 65 anos fazendo pergaminhos com bênçãos papais personalizadas, atividade que se tornou o principal de seu pequeno negócio de criar os rolos de texto em homenagem a ocasiões especiais como batismos e casamentos. Mas a situação dele pode mudar em breve após uma decisão do Vaticano.
Segundo a determinação, a partir do dia 1º de janeiro de 2015, a oficina dele e outros 60 produtores e lojas que têm feito parte do negócio de bênçãos papais por década não terão mais a permissão de fazer ou vender os pergaminhos. A decisão, segundo vendedores, pode causar o fim de 500 postos de trabalho.
O escritório do Vaticano dedicado às ações de caridade do Papa enviou uma carta aos calígrafos e lojas em abril lembrando a decisão de 2010, que determinava que as concessões deles terminariam este ano. O Vaticano voltaria a ser o único responsável pela produção dos pergaminhos, como acontecia antes da década de 1950.
— Depois de mais de 60 anos, eu me sinto como um velho trapo que está sendo jogado fora — disse Pensa em sua oficina de caligrafia em Roma, onde ele, a esposa e o filho produzem pergaminhos para o Vaticano, além de diplomas e elaborados certificados para outros clientes.
PAPA AINDA NÃO RESPONDEU AOS APELOS DOS CALÍGRAFOS
Calígrafos e donos de lojas enviaram uma série de apelos ao Papa Francisco argumentando que a decisão contradiz a posição do pontífice de defender os direitos dos trabalhadores. O papa ainda não respondeu aos apelos.
A carta do Vaticano mencionava um “retorno às origens”, quando o Papa Leão XIII permitiu que bênçãos papais escritas em pergaminhos fossem vendidas, a partir do final do século XIX, para angariar fundos para instituições de caridade. Todas elas eram produzidas dentro do próprio Vaticano.
No Vaticano, cada um desses pergaminhos custa de € 6 a € 30, dependendo do modelo, de quanto dele foi gerado no computador e do quanto da decoração é feita a mão. Eles incluem o desenho de flores, esboços de igrejas de Roma, uma foto do papa, além do texto.
Enquanto o Vaticano limitou o preço que as lojas de fora podem cobrar — € 26 para modelos simples e € 52 para os elaborados —, vendedores comercializavam algumas unidades por mais do que o dobro destes valores.
BÊNÇÃOS SÃO 'CONTRIBUIÇÃO PARA CARIDADE'
— Nós tivemos um monte de problemas com isso — afirmou o Monsenhor Diego Ravelli, do escritório que cuida das atividades de caridade do papa, acrescendando que a estimativa de que 500 empregos estão em perigo foi “extremamente exagerada”.
O Vaticano recebe € 3 para cada pergaminho feito pelos calígrafos de fora. Excluindo este grupo, será possível dar mais dinheiro aos necessidtados.
— Isso não é um souvenir. Você não está pagando por uma bênção, mas contribuindo para as obras de caridade do papa — pontuou Ravelli.
Cerca de 337 mil “bênçãos” foram feitas em 2013, das quais quase dois terços pelo próprio Vaticano.
Esta é a segunda polêmica com decisões do Vaticano que têm como objetivo angariar mais verba para ações beneficentes do Sumo Pontífice. Em outubro, a Porsche alugou a Capela Sistina para a realização de um concerto. Do evento participaram 40 pessoas que desembolsaram quase € 5 mil por um tour de cinco dias pela Itália. O Vaticano não revelou quanto a Porsche pagou para usar o espaço.