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30/07/2013 - 03h59
Desaquecimento da economia afeta dissídios e ganho real de categorias cai no 1º semestre
Fonte: O Globo

O forte desaquecimento da economia já afetou as negociações salariais de categorias com data-base no primeiro semestre do ano. Dados preliminares do Dieese revelam que o ganho real médio dos dissídios negociados entre janeiro e maio chegou a 1,4%, bem abaixo dos 2,23% alcançados no primeiro semestre de 2012. O balanço completo será divulgado na segunda semana de agosto, mas o resultado das negociações apuradas até maio indicam um cenário mais difícil para as grandes categorias que terão de negociar seus salários no segundo semestre, caso de metalúrgicos, bancários, comerciários e petroleiros.

O forte desaquecimento da economia já afetou as negociações salariais de categorias com data-base no primeiro semestre do ano. Dados preliminares do Dieese revelam que o ganho real médio dos dissídios negociados entre janeiro e maio chegou a 1,4%, bem abaixo dos 2,23% alcançados no primeiro semestre de 2012. O balanço completo será divulgado na segunda semana de agosto, mas o resultado das negociações apuradas até maio indicam um cenário mais difícil para as grandes categorias que terão de negociar seus salários no segundo semestre, caso de metalúrgicos, bancários, comerciários e petroleiros.
— A julgar por esses dados, a tendência é de um quadro mais difícil para as negociações das categorias que têm data-base neste segundo semestre do ano — analisa José Silvestre, economista e coordenador de Relações Sindicais do Dieese.
Ele observa que, ao contrário do ano passado, 2013 começou ruim, com inflação e juros mais altos, mas pode melhorar no segundo semestre. Mesmo que haja uma mudança no quadro econômico, ele não crê que a média dos ganhos reais ultrapasse o conseguido no ano passado. Além disso, diz que os dados preliminares também apontam para um recuo do número de negociações que deverão ter ganho real e uma possível queda do percentual médio, que deve ficar abaixo dos 1,96% de 2012.
— Está claro que, mesmo que a economia cresça mais que 2012, entre 2% e 2,5%, o cenário é adverso para os trabalhadores. Não é um cenário róseo, mas também não é de “terra arrasada” — diz.
Bancários querem ganho real de 5%
Apesar das dificuldades, os sindicalistas não pretendem abrir mão de aumentos reais que começam em 5%. Os bancários, que reúnem 500 mil trabalhadores e apresentam a pauta de reivindicações aos bancos na próxima terça-feira, estão pedindo reajuste de 5% acima da inflação e um piso maior, de cerca de R$ 1.500 para pelo menos R$ 2.860, valor calculado pelo Dieese, entre outras reivindicações. Com data-base em setembro, a categoria perdeu quase cinco mil postos de trabalho no primeiro semestre do ano. Apesar disso, a direção da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf) não vê motivo para recuar nas negociações.
— Mesmo aumentando os lucros e mantendo a mais alta rentabilidade do sistema financeiro internacional, os bancos brasileiros, principalmente os privados, continuam demitindo trabalhadores e empregando a rotatividade para reduzir os salários — diz Carlos Cordeiro, presidente da Contraf-CUT.
Assim como os bancários, que têm data-base nesta segunda metade do ano, sindicalistas de categorias como as de metalúrgicos, petroleiros e comerciários informam que, a despeito do desaquecimento da economia e dos primeiros sinais de fraqueza no mercado de trabalho, não vão abrir mão de acordos garantindo a reposição da inflação mais o pagamento de ganho real. Além de um valor maior como Participação nos Lucros e Resultados (PLR). Segundo eles, o ligeiro avanço do desemprego medido pelo IBGE, de 5,9% para 6%, preocupa, mas não deve prejudicar as negociações salariais.
Petroleiros realizam assembleias em agosto
Entre os petroleiros, o pleito é por reajuste salarial. A Federação Única dos Petroleiros (FUP), filiada à CUT, já aprovou na plenária nacional um ganho real de 5% mais a variação do Índice de Custo de Vida (ICV), do Dieese, acumulado entre setembro de 2012 e agosto de 2013. Segundo João Antônio de Moraes, coordenador geral da FUP, e José Maria Rangel, presidente do Sindipetro do Norte Fluminense, a proposta ainda deverá ser submetida às assembleias da categoria para o referendo. Só depois é que o pleito será encaminhado à Petrobras.
— A expectativa é encaminhar nossa pauta de reivindicações para a Petrobras no dia 6 de agosto. Além do aumento salarial, queremos mudanças nos critérios de segurança e meio ambiente, como o aumento do mandato de um para dois anos dos representantes das comissões de segurança — disse Rangel, lembrando que a desaceleração da economia e a redução do lucro da Petrobras não vão interferir na pauta de reivindicações, pois o custo de trabalho do setor, em relação a outros segmentos, é muito baixo.