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27/09/2016 - 10h57
Desempregados ganham renda extra na campanha eleitoral
Fonte: Diário do Litoral / Daniela Origuela
Em São Vicente, candidatos já gastaram quase R$ 300 mil com contratação de pessoal e mobilizadores de rua


O dia 2 de outubro se aproxima, data das eleições municipais, e as ruas estão repletas de cabos eleitorais munidos de bandeiras e panfletos. De acordo com a primeira parcial da prestação de contas apresentadas pelos candidatos a prefeito e vereador ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), boa parte dos recursos declarados foi utilizado na contratação de pessoal. Muitos desempregados aproveitam o momento para ganhar um dinheiro extra neste período, enquanto a oportunidade de trabalho fixo e com carteira assinada não chega.
“Não chega um salário mínimo, mas já vai dar para pagar umas continhas. Pelo menos a fatura do cartão de crédito. A sorte é que não sou casado e também não tenho filhos, porque seria mais difícil. A expectativa é conseguir um emprego com carteira fichada depois da eleição. Isso é o que importa”, disse Benedito Aparecido Fonseca, de 51 anos.
Desempregado há mais de um ano, Benedito foi contratado por um candidato para segurar bandeiras por algumas horas nas ruas de São Vicente. Sua última experiência profissional foi como ajudante de pedreiro.
Antes de conseguir o ‘bico’ na campanha, sua rotina, que deve voltar logo as eleições se encerre, era ir ao Posto de Atendimento ao Trabalhador (PAT) em busca de uma oportunidade.
“Com a idade vai ficando mais difícil arranjar emprego. Não tenho preguiça não. Trabalho de qualquer coisa. Melhor que roubar. Tenho experiência como garçom, copeiro e ajudante de padaria. Sempre vou ao PAT, mas nunca tem nada”, disse Benedito. Há 25 anos ele saiu de Peruíbe rumo à São Vicente em busca de uma vida melhor. “Aqui tem mais emprego”, destacou.
A dona de casa Ana Paula Costa Rodrigues, de 46 anos, também aproveitou o período de campanha eleitoral para ganhar um dinheiro extra – um pouco mais de um salário mínimo. Ela está desempregada há oito meses. “Resolvi fazer o ‘bico’ porque já conhecia o candidato e também é uma renda extra. Depois das eleições voltarei à luta de novo para ver se consigo alguma coisa. Ajudante de cozinha, o que aparecer está bom”, afirmou.
A Reportagem conversou com Ana Paula enquanto ela agitava uma bandeira de um candidato junto com outras mulheres na Praça Barão do Rio Branco, no Centro de São Vicente. Assim como Benedito ela também vê na idade uma dificuldade em conseguir uma vaga no mercado de trabalho. “Fiquei casada por 25 anos e nunca trabalhei. Comecei a trabalhar há três anos. Além da idade tem a escolaridade. Fiz até a quinta série. Tudo isso dificulta na hora de arrumar emprego”, destacou. Ela mora com a mãe e um filho de 22 anos.
Curso
O jovem Bruno Daniel, de 29 anos, perdeu o emprego há seis meses. Trabalhava como promotor de vendas em uma vaga temporária com chances de efetivação. No entanto, a crise econômica impediu sua continuidade na empresa.
“Meu último emprego foi como promotor de vendas, mas a efetivação não acabou acontecendo. Pretendo fazer um curso técnico para aumentar as chances de colocação no mercado de trabalho, que está muito difícil. Quem sabe o meu candidato ganhe e muda a realidade da cidade, criando mais empregos”, afirmou Bruno. O morador do bairro Catiapoã também estava em uma das principais praças do Centro de São Vicente realizando o trabalho de militância.
Com a proibição do uso de cavaletes nas ruas, nesta eleição, os candidatos têm apostado no uso de bandeiras com pessoas posicionadas nos canteiros centrais das principais ruas e avenidas.
Montante
O Diário do Litoral analisou a prestação de contas dos nove candidatos a prefeito de São Vicente. Quatro declararam gastos com pessoal e serviços de militância e mobilizando de rua totalizando R$ 278.134,99.
Junior Bozzella (PSD) é o candidato com maior volume de pagamento pessoal até o momento – R$ 119.280,50. Ele é seguido por Luciano Batista (PTB) que registrou R$ 65.660,49 com esse tipo de despesa.
Davi Morgado (PSC) declarou ter utilizado R$ 51.940,00 com pessoal e Pedro Gouvêa R$ 41.254,00. Nas prestações de contas dos candidatos Alfredo Martins (PT), Kayo Amado (Rede), Marcelo Omena (PCO) e Paulinho Alfaiate (SD) não constavam gastos com pessoal. Fernando Bispo (PR) ainda não declarou suas despesas.