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13/08/2013 - 07h07

Documentos do Brasil Nunca Mais Digital vão facilitar trabalhos da Comissão da Verdade

Fonte: O Globo
 
 
Cerca de 900 mil páginas digitalizadas de um conjunto de 710 processos da repressão militar da época da ditadura brasileira foram disponibilizadas nesta sexta-feira na internet. O site Brasil Nunca Mais Digit@l, que entrou hoje no ar no endereço http://bnmdigital.mpf.mp.br, tem processos julgados pelo Superior Tribunal Militar (STM), além de fotos, vídeos e materiais que mostram os abusos e torturas cometidos na ditadura militar.
 
Coordenadora da Comissão Nacional da Verdade, Rosa Maria Cardoso da Cunha afirmou, no ato de lançamento do site, na manhã de hoje, em São Paulo, que o Brasil Nunca Mais Digit@al vai facilitar os trabalhos de pesquisa da comissão, que ainda não havia obtido acesso a todos os materiais agora digitalizados.
 
— A esse material mais amplo que foi incluído no site nós ainda não tínhamos tido acesso, que são todos os processos que passaram por auditorias militares no período da ditadura e que foram digitalizados. A comissão vai usar isso como referência e paradigma para seus trabalhos. São depoimentos de vítimas que constam dos autos, além de sentenças e denúncias dos operadores jurídicos de então — disse Rosa.
 
Segundo ela, a comissão vai contratar mais pesquisadores para trabalhar nesses documentos e em outros do Arquivo Nacional que a comissão ajudou a digitalizar dos DOPS dos estados e da Comissão da Anistia, onde há mais de 70 mil depoimentos e material comprobatório.
 
Já o procurador-geral dos Direitos do Cidadão, Aurélio Veiga Rios, defendeu que o próximo procurador-geral da República atue para rever a Lei da Anistia.
 
— É obrigação cívica do procurador-geral da República fazer com que a interpretação da Lei da Anistia não seja um escudo para que as pessoas possam se esconder — disse Rios.
 
Frei Betto, um dos responsáveis pelo livro “Brasil: Nunca Mais”, também defendeu punição dos agentes da repressão e disse que ainda há muita violência policial no país:
 
— Não é possível considerar a anistia uma amnésia. Anistia não pode ser uma borracha em crimes hediondos.
 
Acervo fora enviado aos EUA, para evitar destruição
 
Na cerimônia de lançamento do site, os idealizadores do projeto Brasil Nunca Mais, criado na década de 1980 pela Arquidiocese de São Paulo e pelo Conselho Municipal de Igrejas, foram homenageados, assim como os responsáveis pela repatriação e digitalização do acervo, preservado na Suíça e nos Estados Unidos e iniciado em 2011.
 
Em 1985, com o exame de 900 mil páginas de processos judiciais contra presos políticos, foram publicados relatórios e o livro “Brasil: Nunca Mais”, para evitar que os processos fossem destruídos com o fim da ditadura militar. Como temia-se que órgãos da repressão destruíssem o material, microfilmes dos documentos foram enviados aos Estados Unidos pelo Conselho Mundial de Igrejas.
 
Esse acervo retornou ao Brasil com o projeto Brasil Nunca Mais Digital e agora está disponível no site. O portal tem, ainda, documentos arquivados pelo Conselho Mundial de Igrejas na Suíça sobre o trabalho do Projeto “Brasil: Nunca Mais” e relatórios produzidos pela equipe do projeto, e também da Comissão de Justiça e Paz da Arquidiocese de São Paulo. Além de documentos em papel digitalizados, foram recuperadas 855 mil imagens que constavam nos processos.
 
Para um dos coordenadores do site lançado nesta sexta, Marcelo Zelic, do Armazém Digital, o portal vai ajudar em processos judiciais que estão em tramitação.
 
— O site dará mais agilidade para instauração de ações civis e criminais. Foram instauradas 170 investigações criminais sobre sequestros, homicídios e ocultação de cadáver — disse Zelic.
 
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