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24/05/2013 - 03h15

Doqueiros ameaçam cruzar os braços na próxima semana

Fonte: FalaSantos
 
 
Ainda não foi desta vez que os empregados da Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp) puderam comemoraram. Os tão almejados e aguardados Plano de Cargos e Salários e o Realinhamento Salarial continuam sem data definida para serem implementados pela direção da estatal. O anúncio foi feito pelo ministro da Secretaria Especial de Portos, Leônidas Cristino, durante a audiência realizada na última terça-feira, em Brasília, com a direção do Sindicato dos Empregados na Administração Portuária (Sindaport).
 
Entre os principais motivos alegados pelo ministro está a Medida Provisória 595, que, mesmo aprovada pelo Congresso Nacional, segue incógnita quanto ao seu texto final já que poderá sofrer alterações por parte da equipe econômica do Executivo. O prazo para a MP ser sancionada pela presidenta Dilma Rousseff expira no dia 5 de julho.
 
Demonstrando preocupação com a possível paralisação das atividades no complexo santista em razão do estado de greve deliberado pela categoria em assembleia realizada na semana passada, Leônidas Cristino afirmou que o assunto ficou estagnado aguardando o desfecho final da nova regulamentação do setor portuário.
 
A manifestação foi recebida com cautela pelo presidente do Sindaport, Everandy Cirino dos Santos. "Nós já prevíamos, inclusive publicamente, que a celeuma causada pela MP iria praticamente paralisar o setor portuário, não apenas na esfera administrativa das estatais como também os investimentos de infraestrutura, projetos, negociações coletivas trabalhistas e etc., e lembramos ao ministro que o plano de cargos e o realinhamento de salários dos funcionários são reivindicações anteriores à medida que acabou desagradando a tudo e a todos".
 
De acordo com o dirigente, as duas pautas "se arrastam morosamente" há cerca de três anos pelas salas e gabinetes da Codesp, SEP e DEST, órgão do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, responsável pelo controle das empresas estatais. "A MP surgiu no final de dezembro do ano passado, enquanto nossa luta vem desde 2010". Segundo ele, se o pleito dos portuários estava paralisado e dependendo de um desfecho final da MP 595, conforme alegado por Leônidas Cristino, o problema da categoria está próximo de ser resolvido.
 
Durante a audiência, o titular da SEP disse estar atento e sensibilizado com a realidade vivida pelos empregados da Codesp, e assumiu o compromisso de se empenhar junto aos seus pares no sentido de colocar um ponto final no impasse. Para tanto, apelou aos sindicalistas presentes à manutenção da via negocial em detrimento da possível paralisação das atividades portuárias. 
 
A questão das horas extras também foi abordada no encontro. "De maneira alguma somos contra os avanços tecnológicos, informatização de procedimentos ou implantação do ponto eletrônico, desde que esses avanços não signifiquem a retirada de direitos, conquistas trabalhistas e principalmente a redução de salários dos companheiros e companheiras", ressaltou Cirino.
 
Para o vice-presidente do Sindaport, João de Andrade Marques, alguns importantes setores da companhia estão sendo afetados com a redução das horas extras decorrentes da implantação do ponto eletrônico. "Certamente que foi um dos principais motivos do descontentamento da categoria e da decretação do estado de greve". Por outro lado, o presidente da Codesp, Renato Barco, informou que não determinou o corte da jornada de trabalho extraordinário.
 
Na noite desta sexta-feira, empregados da estatal ligados aos sindicatos, dos Operários Portuários (Sintraport), Advogados, Administradores, Contabilistas, Trabalhadores em Processamento de Dados, Engenheiros, Desenhistas e Projetistas Técnicos, Jornalistas, e do próprio Sindaport, se reúnem em assembleia para avaliar o resultado da audiência com o ministro de Portos e decidir os rumos da possível paralisação. 
 
Também participaram da audiência o primeiro secretário do Sindaport, Edilson de Paula Machado, os diretores  Eduardo Ferreira Herrera, Wagner Pinheiro de Almeida e Sinval Nascimento de Santana, além do engenheiro Nei, pelo Sindicato dos Engenheiros.
 
 
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