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24/08/2015 - 07h41
Dragagem ainda preocupa operadores
Fonte: Valor Econômico


Outro gargalo no porto de Santos é o aquaviário: as dragagens não acompanham o ritmo de crescimento dos navios. Hoje Santos tenta manter a profundidade de seu canal em cerca de 15 metros para receber navios de 336 metros, que podem levar pouco mais de 9 mil Teus, os maiores a escalar regularmente o Brasil. Mas, devido às condições do porto, eles navegam com restrições – apenas na maré alta, de dia e com mais rebocadores e práticos, o que encarece a operação.
Com a inauguração do novo canal do Panamá, em 2016, essa classe será superada e um novo padrão de embarcações virá para a América Latina para atender os tráfegos com a Ásia. O canal do Panamá poderá receber navios de até 14 mil Teus, quase o triplo da oferta do maior navio que passa hoje pela via. Os novos navios medem 366 metros e não conseguem fazer a curva no canal de Santos. Hoje, o único porto em que podem entrar no país é no de Paranaguá (PR).
Enquanto isso, portos da América Central e da Costa Oeste da América Latina estão investindo para receber essas embarcações, que transportam mais cargas e escalam menos portos – apenas os “alimentadores”, de onde a carga é redistribuída para portos menores. Os navios maiores representam redução de custo para o armador, por isso é uma tendência mundial.
“Queria saber se será possível vir ao Brasil com navios de 14 mil Teus e, se sim, em quais condições?”, questionou Claudio Loureiro, diretor executivo do Centronave, associação de armadores, em evento em Santos.
Nas próximas semanas, terminais de Santos e a Codesp irão contratar um estudo junto à Universidade de São Paulo sobre o limite operacional do porto. “A ideia é que o porto tenha 17 metros de profundidade até 2017″, disse Antonio Passaro, presidente da Brasil Terminal Portuário (BTP) e líder da iniciativa “Santos 17″.
Mas problemas ambientais podem naufragar a meta de aumentar a capacidade, já deficitária para a necessidade atual de armadores e terminais. O Ministério Público Federal (MPF) em Santos quer reduzir a largura do canal de navegação de 220 metros para 170 metros. O alargamento foi iniciado em 2010 dentro do programa federal da dragagem de aprofundamento. Segundo o órgão, a intervenção causou erosão das praias de Santos. A Codesp contesta e diz que a dragagem não é o fator dominante.
“Santos é o porto concentrador do Hemisfério Sul. É uma questão de escolha: ou a gente cresce ou a gente acaba”, disse o presidente da Codesp, Angelino Caputo, na audiência de conciliação com o MPF.