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10/09/2013 - 00h37

E o escritório nunca mais foi o mesmo

Fonte: O Globo

Nos últimos 20 anos, muitas águas rolaram no mercado de equipamentos, gadgets e tecnologias para escritórios. Foram muitos sucessos, e alguns fracassos. Por exemplo, a ideia de que com o computador o escritório se veria livre do papel provou ser falsa — nunca se imprimiu tanto como hoje, mesmo com as campanhas ecológicas mecanicamente anunciadas no rodapé das mensagens de e-mail de empresas.
 
Outra falácia: o computador aceleraria brutalmente os processos de trabalho e daria às pessoas tempo livre como nunca sequer imaginaram que teriam. Sim, os processos ficaram mais rápidos, mas, em geral, o funcionário só foi, cada vez mais, assumindo diferentes tarefas.
 
Avanços no hardware
 
Num ambiente de trabalho no início dos anos 1990, o arcaico telex já fora suplantado por máquinas de fac-simile, vulgo fax. Hoje, se uma empresa disser que só aceita propostas via fax, estará passando um claro atestado de que parou no tempo. Quanto ao computador de mesa, hoje temos laptops, netbooks e ultrabooks finíssimos, com dezenas ou centenas de vezes mais capacidade para processar e armazenar. E consumindo muito menos energia. Finos monitores LCD, plasma ou LED produzem imagens de alta qualidade. Também por menos.
 
As antigas impressoras conectadas a um ou outro desktop se transformaram em estações multifuncionais compartilhadas, englobando as funções de copiadora e scanner, conectadas à rede interna e autenticando usuários via credenciais corporativas, para fins de alocação a centros de custo. Os telefones hoje são capazes de gravar ligações, oferecer serviço de secretária eletrônica, de voz, chamadas em conferência e diversas outras funcionalidades.
 
Quanto às redes, elas estão cada vez mais wireless (sem fio). Essa transição se deu quase em sincronismo ao aparecimento de uma tendência tecnológica ainda mais impactante: a mobilidade. Primeiro via laptops. Depois, via celulares, que não dão descanso nem a chefes nem a subordinados, permitindo que qualquer um seja encontrado em qualquer lugar, a qualquer hora. E o celular se tornaria mais inteligente, incorporando geolocalização por GPS.
 
Em seguida, com o surgimento de smartphones e tablets, que se tornam cada vez mais poderosos, surgiu o fenômeno que hoje representa um pesadelo para as equipes de segurança digital corporativa: o “BYOD” (Bring Your Own Device = Traga Seu Próprio Dispositivo), em que funcionários trazem para o trabalho suas engenhocas particulares e, muitas vezes, querem integrar esses aparelhos aos processos de trabalho.
 
Evolução do software
 
A evolução na engenharia de software permitiu o desenvolvimento de sistemas cada vez mais otimizados e sofisticados — processadores de texto, planilhas eletrônicas etc. — que vêm promovendo melhorias no andamento dos trabalhos. E o que antes era uma rotina de trabalho individual, solitária e muitas vezes enfadonha, tornou-se mais colaborativa.
 
Mas a grande revolução se deu com as mídias sociais. Primeiro Twitter, depois Facebook, seguidos de seus smilares e clones — e o mundo empresarial nunca mais foi o mesmo. Comunidades se formam em torno de produtos e serviços, tornando obrigatória a presença nessas mídias. Só há um preço a pagar: esses sites distraem os funcionários, gerando quedas importantes na produtividade. Sem gerenciamento, redes à vontade podem significar fracasso da empresa.
 
Na verdade, a internet acabou prejudicando em parte as empresas. Funcionários muitas vezes veem a produtividade desabar em função do tempo que passam navegando em sites não relacionados diretamente às suas funções.
 
Quanto ao expediente de serviço, se 20 anos atrás, o engajamento usual de um funcionário de escritório era uma jornada presencial de trabalho, hoje cada vez mais se fala em “home office”, em que o empregado trabalha em casa, aproveitando-se de regimes flexíveis de horário. Outro efeito positivo no processo de trabalho em escritório foi a adoção mais frequente das videoconferências.
 
Com a evolução tecnológica, a própria apresentação de dados passou a ser mais visual e menos escrita. Estudos apontam que o cérebro gasta 20% menos energia para absorver informações quando os dados são apresentados visualmente.
 
O tamanho do escritório
 
Hoje armazenar dados é mais fácil e barato. Porém, gera outro problema: como gerenciar tanta informação? A resposta para isso, felizmente, já veio. Trata-se do “Big Data”, um conjunto de técnicas que permite minerar esses grandes bancos de dados extraindo deles informação sintética e relevante.
 
Segundo o especialista em ambientes de trabalho Herman Miller, nos EUA, escritórios privados permanecem desocupados 77% do tempo. Esses dados apontam para a necessidade de espaços menores: trabalhando-se “móvel”, o escritório pode ser mais enxuto.
 
— Embora os designers só tenham começado a repensar os ambientes de trabalho há uns 15 anos, em função da evolução tecnológica e da globalização, levou mais de dez para que eles chegassem a soluções eficientes — diz Leigh Stringer, diretor de Inovação e Pesquisa da HOK (Hellmuth, Obata & Kassabaum), empresa de design, engenharia e planejamento. — Agora, conversa-se muito mais sobre estratégia com clientes corporativos. Eles são mais dependentes de seus parceiros, são mais globais.
 
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