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28/04/2016 - 03h05

Ecoporto demite 140 motoristas

Fonte: AssCom SindRod / Paulo Passos
 
Sindicato dos Rodoviários entrou com dissídio coletivo no TRT e acampará no pátio 1 da empresa


 
A Ecoporto Santos, do grupo Eco Rodovias, que opera serviços de logística na margem direita do porto, com seis terminais, mandou telegrama a 140 motoristas, colocando-os em aviso-prévio de demissão.
 
A medida foi adotada nesta terça-feira (26), em represália à rejeição dos trabalhadores de acatar proposta da empresa para renovação do acordo coletivo de trabalho na data-base de março.
 
A recusa dos empregados ocorreu na quarta-feira da semana passada (20), em assembleia do Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Santos e região (Sindrod).
 
Diante do aviso das demissões, o sindicato reuniu os profissionais em assembleia, na manhã desta quarta-feira (27), quando decidiram acampar no pátio 1 da empresa, a partir desta quinta (28).
 
Às 7 horas da manhã, a diretoria do Sindrod montará uma tenda na Avenida Engenheiro Antônio Alves Freire, sem número, no cais do Saboó, para protestar com os trabalhadores.
 
Na tarde desta quarta (27), o advogado Eraldo Aurélio Franzese foi ao Tribunal Regional do Trabalho (TRT-SP), protocolar o dissídio coletivo da campanha salarial para suspender as demissões. 
 
Plano de saúde
 
O problema da proposta nem foi a reposição salarial de 5%, contra a inflação acumulada de 10,5% em 12 meses, conforme explica o vice-presidente do sindicato, José Alberto Torres Simões ‘Betinho’.
 
Segundo ele, a empresa quer modificar o plano de saúde Unimed integral, obrigando os motoristas a pagarem de 20% a 30% nas consultas médicas e laboratoriais inferiores a R$ 250.
 
Os trabalhadores, explica Betinho, até aceitam o reajuste salarial proposto, assim como os 10% no vale-refeição oferecidos pela empresa, que passaria de R$ 25,73 para R$ 28,29.
 
“Mas o retrocesso no plano de saúde, a categoria não pode aceitar”, diz o sindicalista. “Seria concordar com praticamente a revogação de um direito conquistado a duras penas”.
 
Os trabalhadores aceitariam também a aplicação de 9% nas demais cláusulas econômicas e aumento do adicional noturno de 40% para 50% a partir de julho.
 
Mas contra a mudança no plano de saúde, acataram sugestão do jurídico do sindicato e resolveram solicitar medida cautelar judicial, fato que levou a empresa a demiti-los.
 
O sindicato fará nova assembleia com os trabalhadores, ainda nesta semana, para deliberar o que fazer contra as demissões. Para Betinho, “neste caso, o melhor remédio é o diálogo”.
 
Santos Brasil
 
Com data-base em março, os motoristas de Santos Brasil Logística, que opera na margem esquerda do porto, também recusaram, em assembleia, a proposta da empresa para o acordo coletivo.
 
Ela ofereceu reajuste escalonado de 8%, sendo 5% em março, 2% em abril e 1% em julho. O percentual seria aplicado na cesta-básica, vale alimentação e demais itens.
 
O terminal tem 500 empregados e a assembleia reivindicou reajuste de 11%, sendo 8% em março, 2% em abril e 1% em julho, além de 10,5% nas demais cláusulas, que corresponde à inflação do período.
 
Fretamento
 
Também fizeram assembleia, no Sindrod, os motoristas de fretamento e turismo, com data-base em maio. Eles recusaram proposta patronal de 8% nos salários e na cesta-básica.
 
O segmento tem 1.200 trabalhadores nas empresas Breda, Executiva, Caravellas, São Bento e Yellow Tur, entre outras. A categoria reivindica reajuste com base na inflação do período em todos os itens econômicos da pauta.
 
As empresas ofereceram 9,5% no vale-refeição, que passaria de R$ 19,23 para R$ 21,05. Com a desativação produtiva na Usiminas, houve muitas demissões no setor.
 
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