Notícias
26/04/2016 - 02h35
Eldorado vê margem para reajuste em junho
Fonte: Valor Econômico

Depois da queda acentuada nos últimos meses, os preços da celulose de fibra curta, especialidade dos produtores brasileiros, começaram a se estabilizar e há margem para recuperação ainda em junho, na avaliação do presidente da Eldorado Brasil, José Carlos Grubisich. "Houve um movimento importante de ajuste de estoques na China e no sul da Europa, o que fez com que os preços caíssem, mas há espaço para recuperação a partir de junho", afirmou.
Em março, segundo o executivo, as vendas já foram mais fortes e abril deve repetir essa tendência. Além da retomada das encomendas, ressalta Grubisich, contribui para a perspectiva positiva no curto prazo o fato de a diferença de preços entre celulose de fibra longa (que é mais cara) e fibra curta ter se normalizado, o que aumenta a possibilidade de substituição de matéria-prima pelos fabricantes de papel ou embalagens. Em março, esse spread já havia voltado a US$ 70 por tonelada, perto dos patamares históricos.
No primeiro trimestre, a despeito do cenário pior do que o esperado, a produtora de celulose de eucalipto do grupo J&F registrou novo avanço nos resultados operacionais. A última linha do balanço, porém, foi prejudicada por perdas com derivativos cambiais, que resultaram em prejuízo líquido de R$ 182 milhões, três vezes maior do que o registrado um ano antes.
A pressão sobre o resultado final veio da linha financeira, na esteira da valorização do real, que passou de R$ 3,90 por dólar na abertura do trimestre para R$ 3,56 no fechamento com impacto nos derivativos. Em nota explicativa, a Eldorado informa que, em 31 de março, a exposição cambial nesses instrumentos totalizava R$ 4,85 bilhões.
De janeiro a março, a Eldorado teve despesas financeiras de R$ 1,14 bilhão, contra receitas de R$ 561,3 milhões. Diante disso, o resultado financeiro líquido ficou negativo em R$ 574,2 milhões, mais do que anulando o lucro bruto de R$ 426,8 milhões, que cresceu 49% na comparação anual.
A receita líquida trimestral da companhia subiu 14%, a R$ 741 milhões. As vendas somaram 354 mil toneladas, queda de 3%, e a produção foi recorde, com 428,8 mil toneladas. "Tivemos um trimestre de resultado operacional muito forte. Março foi o melhor mês para a Eldorado em eficiência de custos", disse Grubisich.
O resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda ajustado, que considera o efeito de lucro não realizado em estoques no exterior por meio de vendas entre empresas relacionadas no valor de R$ 54 milhões) avançou 46%, para R$ 483 milhões.
De acordo com a companhia, a melhora no desempenho operacional reflete a redução no custo de produção de celulose, diante da menor distância entre fábrica e florestas, a inauguração do terminal próprio no Porto de Santos (SP), que trouxe ganhos com logística, e a desvalorização do real frente ao dólar, que amplia as receitas com exportação.
Do volume de celulose vendido pela Eldorado no trimestre, 46% foi direcionado para a Ásia (com destaque para a China), 30% para a Europa, 14% para a América Latina e 10%, América do Norte. Os segmentos de tissue (papel para fins sanitários) e de imprimir e escrever representaram a maior parte do volume comercializado pela companhia, com participação de 35% e 27%, respectivamente.
Ao fim do primeiro trimestre, a dívida líquida da Eldorado era de R$ 8,2 bilhões, estável frente ao registrado em dezembro. Em dólar, o endividamento líquido correspondia a 4 vezes o Ebtida ajustado, frente a 3,7 vezes no fim de 2015.
De acordo com Grubisich, a Eldorado está avançando em seu projeto de expansão em Três Lagoas (MS) e ainda trabalha com a previsão de colocar a nova linha em operação em 2018. Até o fim do terceiro trimestre, disse o presidente da companhia, os equipamentos principais da fábrica já devem estar comprados.
O Projeto Vanguarda 2.0 prevê a instalação de uma linha com capacidade de produção de 2 milhões de toneladas/ano e investimento de R$ 8 bilhões somente na unidade industrial. O financiamento ainda não foi equacionado e poderá resultar na chegada de um novo sócio à empresa. Do total a ser investido, R$ 3 bilhões devem ser levantados por meio de aumento de capital, subscrito pelos atuais sócios - a J&F detém 80,9% das ações e os fundos de pensão Petros e Funcef têm outros 8,53% cada um.