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04/03/2013 - 02h29

Eleitores suíços aprovam lei que limita salários de executivos no país

Fonte: Valor Econômico
 
 
A maioria dos eleitores na Suíça aprovou neste domingo uma lei para por fim às "remunerações abusivas" dos executivos, algo que ocorre pela primeira vez na Europa. O sim maciço dos eleitores reflete a exasperação popular com os salários excessivos de diretores mesmo em empresas em dificuldades. A Suíça é um país muito liberal, mas os grandes salários e aposentadorias milionárias de certos patrões chegaram ao ponto de provocar a votação popular. As primeiras pesquisas de opinião indicam que a iniciativa popular foi aprovada por 68% dos eleitores.
 
Agora, a constituição suíça terá um artigo adicional prevendo que os salários dos membros do conselho de administração e da direção das empresas cotadas na Bolsa de Valores serão fixados cada ano pela assembleia geral dos acionistas. Outra novidade é que os diretores não receberão mais nenhuma indenização a partir das empresas, nem remuneração antecipada e tampouco prêmio pela compra ou venda de empresas. Essas medidas serão proibidas "para proteger a economia, a propriedade privada e os acionistas e para assegurar uma gestão duradoura da empresa".
 
Quem não respeitar as novas regras sofrerá multas pesadas e até três anos de prisão. Comemorando a vitoria, o pai da iniciativa contra os salários abusivos, o senador de direita Thomas Minder, avisou que "o povo suíço enviou um sinal forte aos conselhos de administração".
 
A vitoria foi facilitada pelo escândalo envolvendo o presidente da companhia farmacêutica Daniel Vassela, que obteve um pacote de indenização de 72 milhões de francos (R$ 153 milhões) como cláusula de não concorrência quando deixar o cargo proximamente. Vasella conseguiu uma rejeição nacional, tanto de partidos de direita e esquerda como do próprio setor empresarial, com o "paraquedas de ouro", como ficou conhecido. Ele foi forçado a desistir do pacote, mas o estrago já estava feito.
 
A votação de hoje (ontem) na Suíça ocorre dias depois que as instituições da União Europeia concordaram num projeto de acordo histórico para limitar o montante dos bônus a serem pagos aos banqueiros, medida sem equivalente no mundo.
 
 
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