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02/06/2014 - 03h29
Eliminação de gargalos gera ganhos em produtividade
Fonte: Valor Econômico
Investimentos em infraestrutura possuem efeito multiplicador sobre a economia. O consultor Antonio Correa de Lacerda, professor da Pontifícia Universidade Católica (PUC-SP), calcula que cada R$ 1,00 investido em infraestrutura gera incremento de R$ 3,00 no PIB, tanto pela eliminação de gargalos produtivos, gerando redução de custos, quanto pela melhoria da qualidade de vida da população. Cada 1% do PIB investido em infraestrutura gera ganhos entre 0,48% a 0,53% na produtividade.
Investimentos em infraestrutura possuem efeito multiplicador sobre a economia. O consultor Antonio Correa de Lacerda, professor da Pontifícia Universidade Católica (PUC-SP), calcula que cada R$ 1,00 investido em infraestrutura gera incremento de R$ 3,00 no PIB, tanto pela eliminação de gargalos produtivos, gerando redução de custos, quanto pela melhoria da qualidade de vida da população. Cada 1% do PIB investido em infraestrutura gera ganhos entre 0,48% a 0,53% na produtividade.
Lacerda diz ainda que os investimentos em infraestrutura no Brasil são crescentes, saíram de 2,04% do PIB em 2005, para 2,65% em 2013, quando alcançou R$ 119,2 bilhões. Mas esse aumento de recursos não foi suficiente para fazer frente a uma situação que agrega um histórico de déficit de oferta de infraestrutura com a demanda crescente por esses serviços.
Entre 2002 e 2012, o número de passageiros de avião no Brasil cresceu 182,5%, chegando a 101,4 milhões. O movimento de veículos nas rodovias aumentou 86,6%, para 109,5 milhões por quilômetro ao ano. E o volume de cargas movimentadas nos portos foi ampliado em 58,4%, alcançando 904 milhões de toneladas. O descompasso entre a capacidade do país em investir e o aumento da demanda por serviços compromete a inserção global da economia brasileira.
O relatório do International Institute for Management Development (IMD), que analisa a competitividade das 60 principais economias globais, classifica o Brasil no 54º posto. A qualidade da infraestrutura está entre os itens que mais afetam o desempenho brasileiro. O país é o 59º colocado em infraestrutura logística, ocupa o 55º lugar em adequação e eficiência energética e é o último em tecnologia de comunicação de voz e dados. O ranking Doing Business, elaborado pelo Banco Mundial, também aponta que a má qualidade da infraestrutura é o fator que mais atrapalha os negócios no país.
Segundo estudos do International Finance Corporation (IFC), o braço financeiro do Banco Mundial, o estoque de infraestrutura brasileira representa 16% do PIB do país, enquanto a média dos países desenvolvidos é de 71% do PIB. "Para o Brasil igualar essa média são necessários investimentos entre R$ 2,6 e R$ 2,8 trilhões", diz Hector Gomez Ang, gestor do IFC no país, Ang avalia que o país terá que superar grandes desafios para viabilizar esses investimentos.
Entre os principais problemas apontados por Ang estão as limitadas opções de financiamento no país, muito dependente de recursos públicos, o baixo nível de poupança e a pequena participação de capital internacional nos investimentos; a restrita disponibilidade de projetos bem elaborados, um sistema regulatório que ainda não está maduro e a dificuldade de obtenção de licenças, como as ambientais. "O Brasil precisa tornar mais eficiente o ciclo dos investimentos", diz. Em relação ao financiamento da infraestrutura, Ang sugere o incentivo ao desenvolvimento de estruturas tipo project finance, fortalecimento do sistema de garantias e o desenvolvimento de alternativas de funding.
Lacerda diz que o capital privado demonstra disposição de investir no país. Em 2013, o Brasil foi destino de US$ 64 bilhões em investimentos estrangeiros diretos e outros US$ 60 bilhões são esperados em 2014. Pesquisa realizada durante o Fórum Econômico Mundial de Davos, em janeiro, o país foi apontado como o quarto destino preferido pelos investidores nos próximos dez anos.
"Precisamos é de estratégia para transformar essa disposição em investimentos concretos", diz o professor da PUC. O programa de concessões anunciado em 2011, previa investimentos de R$ 679 bilhões em petróleo, eletricidade, logística e mobilidade urbana até 2017. Há gargalos para a sua execução. Para ele, é preciso melhorar a execução orçamentária do setor público, diminuir entraves burocráticos, como os licenciamentos ambientais, estimular o capital nacional e estrangeiro a financiar as obras e buscar alternativas de investimentos, como as Parcerias Publico-Privadas (PPPs).