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13/04/2016 - 06h13
Embarcações históricas definham no Porto de Santos
Fonte: Diário do Litoral
Navios de pesquisas Orion e Professor Wladimir Besnard estão inoperantes

Em tempos áureos, eles cruzaram oceanos, desbravaram mares e foram fundamentais, dentro de seus eixos de atuação, para pesquisas nacionais. Um passado de histórias hoje está reduzido à água e ferrugem: os navios Orion e Professor Wladimir Besnard definham ancorados há anos no maior Porto da América Latina.
A Orion, embarcação de propriedade do Instituto de Pesca, está atracada há mais de dez anos no armazém 8 do Cais. Por 16 anos, o navio de pesquisa prestou relevantes serviços à pesquisa nacional. Lançado oficialmente ao mar em 1977, ficou sucateado entre 1995 e 2000. Em junho de 2000, foi iniciada a recuperação do navio e sua transformação em um navio-escola. A proposta, no entanto, não seguiu adiante em virtude da dificuldade na captação de recursos para viabilizar o projeto.
Igualmente abandonado está o navio oceanográfico de pesquisas Professor Wladimir Besnard, de propriedade da Universidade de São Paulo (USP), e que durante 45 anos contribuiu para o desenvolvimento científico e exploração oceânica do País.
Construído em 1966 na Noruega, o navio foi o primeiro com bandeira brasileira a realizar uma expedição na Antártida. Em 2008, um incêndio atingiu sua estrutura e comprometeu sua segurança no mar, o que sentenciou a embarcação a ficar ancorada desde então no Armazém 8 do Porto de Santos.
Destino final do Orion segue indefinido pelo Instituto de Pesca
Ainda não há um plano traçado para o destino da Orion. O Instituto de Pesca informou, por meio de nota, que a direção avalia os custos necessários de uma possível reforma e sua viabilidade, levando em conta qual seria sua utilização para as atividades de pesquisa científica do Centro de Pescados Marinhos do IP.
Ainda de acordo com o instituto, após avaliar se haverá utilidade do Orion para as atividades de pesquisa do instituto, será decidida qual a destinação da embarcação.
O projeto que pretendia transformar a embarcação Orion em um barco-escola não foi concretizado. À época, haviam duas instituições que propuseram viabilizar o projeto buscando financiamento para sua operação como barco-escola. Entretanto, houve dificuldade na captação de recursos para viabilizar o projeto e a proposta não foi adiante.
Wladimir Besnard, da USP, será desmontado
Em 2012, houve a proposta para que a embarcação fosse repassada para a Prefeitura de Santos, que planejava transformá-la em museu marítimo do projeto Porto Valongo. Após as tratativas não seguirem adiante, a proposta de doar o navio para o governo Uruguaio quase foi concretizada, porém, um recuo por parte do Uruguai prolongou o abandono do navio no porto.
Outras propostas foram levantadas, sendo uma delas o afundamento controlado da embarcação para fazer dela um recife de coral.
O destino do navio Professor Wladimir Besnard, no entanto, não será glorioso. Por meio de nota, a assessoria de imprensa da USP informou que o Conselho Universitário, instância máxima decisória da Universidade, aprovou, em outubro do ano passado, que os equipamentos sejam retirados da embarcação e a estrutura física seja desmontada. De acordo com a universidade, o navio consumia, mensalmente, R$ 22 mil para manutenção.
‘Cemitério’ possui 19 embarcações inoperantes
De acordo com a Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp), atualmente há 19 embarcações inoperantes atracadas no Porto de Santos. Oito delas estão no cais do Valongo e 11 na margem esquerda.
Parte das embarcações estão em avançado estado de decomposição ou semiafundadas. Outras estão sob pendência judicial, o que impede o procedimento de remoção até que se resolva os imbróglios jurídicos.
Segundo informou a Codesp, todas as embarcações abandonadas possuem algum aspecto complicador e as regularizações são complexas em termos operacionais, burocráticos, técnicos e financeiros.
Ao notar uma embarcação inoperante, a Companhia Docas encaminha cartas aos proprietários identificados solicitando esclarecimentos quanto à situação das embarcações (gestão de resíduos, manutenções efetuadas, laudos das estruturas e flutuabilidade, dentre outras informações), bem como ações para viabilizar a remoção das mesmas do cais.
A companhia explicou ainda que no caso das embarcações de proprietário desconhecido, a situação é mais complexa, demandando uma série de procedimentos, que vai desde a realização de mergulhos para a identificação dos dados da embarcação (nome, número de registro, dentre outros), levantamento de informações junto à Capitania dos Portos, publicações de chamamento de possíveis proprietários, até a elaboração de termos de referência para contratação de serviços e posterior remoção.
Não há instrumentos para o estabelecimento de multas para esse caso.