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05/05/2017 - 04h50

Emprego com carteira perde 599 mil pessoas durante o primeiro trimestre

Fonte: DCI
 
Perda sazonal e manutenção da crise derrubaram trabalho formal nos primeiros meses de 2017; ainda assim, especialista projetou cenário melhor para o mercado no País para o final deste ano
 
No setor privado, 599 mil pessoas perderam o trabalho com carteira assinada entre janeiro e março de 2017. Com isso, o contingente de empregados no mercado formal recuou 1,8%, na comparação com o último trimestre de 2016, para 33,406 milhões.
 
Ainda assim, especialistas consultados pelo DCI mantiveram certo otimismo ao falar sobre o futuro. Professor de economia da Fundação Getulio Vargas (FGV), Mauro Rochlin disse que a trajetória do emprego deve mudar no final deste ano, com o fim das perdas e até uma retomada das contratações.
 
"Estamos saindo de uma recessão profunda, sem parâmetros para comparação na história do País, mas é possível dizer que há uma melhora. Alguns dados econômicos estão positivos e outros estão piorando menos neste ano."
 
Os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) mensal, divulgada na última sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostraram que as baixas na carteira assinada, entre janeiro e março, representaram quase a metade das 1,225 milhão de vagas formais que foram extintas no desde o primeiro trimestre de 2016.
 
Essa intensificação do enfraquecimento no setor foi causada por um motivo sazonal e, mais uma vez, pelos efeitos da crise econômica.
 
Sobre o primeiro fator, Cimar Azeredo, coordenador de trabalho e rendimento do IBGE, lembrou que as vagas temporárias, que ganham força durante as festas de dezembro, costumam acabar no começo do ano seguinte.
 
Já Rochlin destacou o efeito da recessão para as perdas de emprego. "Muitas empresas de menor porte, que são intensivas em mão de obra, estão com fôlego muito curto. Essas companhias chegaram ao limite no que diz respeito a suportar a crise", afirmou.
 
A maior parte das estatísticas para o mercado de trabalho, no primeiro trimestre, foi ruim. A taxa de desemprego, por exemplo, chegou a 13,7%, no primeiro trimestre deste ano, bem acima dos 10,9% vistos em igual período de 2016.
 
Além das perdas entre os trabalhadores com carteira assinada, também foram registradas baixas para o mercado informal, com a saída de 336 mil pessoas, e no setor público, com menos 379 mil empregados entre janeiro e março.
 
Por outro lado, o rendimento real dos trabalhadores subiu 2,5% na comparação com o primeiro trimestre de 2016. "Isso se deve à desaceleração da inflação e é importante porque permite alguma manutenção do padrão de gasto da população, a despeito da situação muito dura no emprego", destacou, em nota, o Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi).
 
Impacto da reforma
 
As mudanças na legislação trabalhista, aprovadas na Câmara dos Deputados, são defendidas pelo governo como uma forma de incentivar as contratações.
 
Para Rochlin, entretanto, a criação de postos de trabalho depende, muito mais, de uma retomada da economia do que de alterações na CLT.
 
"A reforma trabalhista pode formalizar alguns serviços que hoje são informais [por flexibilizar a legislação] e trazer uma leve melhora para os dados de emprego, mas é apenas um acessório quando consideramos o quadro atual", disse.
 
Outros especialistas, entretanto, têm visão pessimista sobre as mudanças na legislação. É o caso do presidente da Associação Nacional dos Magistrados do Trabalho (Anamatra), Germano Siqueira.
 
"A possibilidade de aumentar a jornada de trabalho e de adotar novas forma de trabalho precário representa, na prática, a redução dos postos de trabalho e o desestímulo a novas contratações", afirmou.
 
Disparada do desemprego
 
Os dados do IBGE mostraram perdas em vários ramos econômicos. Na comparação com o último trimestre de 2016, 240 mil pessoas deixaram de trabalhar na agricultura, 242 mil saíram do setor de construção, 438 mil foram cortados pelo comércio e outros 484 mil, pela administração pública.
 
Vários recordes negativos foram atingidos no começo do ano. Além da maior taxa de desemprego desde 2012, quando teve início a série histórica, foram vistos o maior número de desempregados (14,2 milhões), o menor número de ocupados (88,9 milhões) e o pior nível de ocupação (53,1%), que mostra o percentual de pessoas empregadas na população em idade de trabalhar.

 
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