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20/12/2018 - 01h44

Emprego formal deve desacelerar em novembro

Fonte: Valor Econômico
 
A geração de empregos formais deve ter desacelerado em novembro, em relação aos meses anteriores, como resultado da sazonalidade típica do período, quando são demitidos trabalhadores temporários da indústria. A média de 19 projeções de consultorias e instituições financeiras aponta para a abertura de 29,7 mil vagas formais em novembro, após saldos positivos de 137,3 mil e de 57,7 mil postos em setembro e outubro, respectivamente.
 
Se confirmada a média das projeções, no entanto, este será o melhor novembro para o mercado de trabalho formal desde 2013, quando foram geradas 47,5 mil vagas. Nos últimos três anos, foram fechados postos de trabalho no penúltimo mês do ano.
 
Para 2018, a média de 16 estimativas aponta para um saldo de 438 mil vagas formais no acumulado de 12 meses, no primeiro resultado positivo após três anos no vermelho. Para 2019, a média das projeções aponta para a criação de 822 mil postos de trabalho formal. No entanto, os analistas ponderam que essa aceleração está condicionada à aprovação da reforma da Previdência e a uma melhora mais sustentada da atividade econômica.
 
O Ministério do Trabalho ainda não confirmou a data de divulgação do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) de novembro, mas a expectativa dos economistas é que o dado seja publicado ainda nesta semana.
 
A LCA Consultores projeta a geração de 32,3 mil vagas com carteira assinada no mês. "Em novembro, sempre esperamos uma desaceleração em relação aos meses anteriores", diz Cosmo Donato, economista da consultoria. Isso acontece pois, em setembro e outubro, são feitas as contratações pela indústria para atender à demanda de fim de ano e o comércio também começa a contratar com essa finalidade. Em novembro, o setor industrial já começa a demitir, embora o varejo ainda esteja contratando.
 
"É uma desaceleração meramente pelos fatores sazonais inerentes à esta época do ano. Ela não pode ser lida como um sinal ruim do mercado de trabalho", alerta Donato. Segundo ele, em termos dessazonalizados, o resultado de novembro representaria uma geração de 44,6 mil vagas, pouco abaixo dos 52 mil postos de trabalho de outubro.
 
O Itaú estima a abertura líquida de 36 mil vagas formais em novembro. "Feito o ajuste sazonal, nossa estimativa implica na criação de 63,5 mil empregos formais, mantendo a média móvel trimestral ajustada virtualmente estável em 62 mil", escreve a equipe do banco, em relatório.
 
Para 2018, a LCA projeta um saldo positivo de 375 mil empregos formais, após fechamento de 20,8 mil vagas em 2017 e da perda de quase 3 milhões de postos nos dois anos anteriores. Ainda assim, o resultado será pior que as 800 mil vagas esperadas pela consultoria ao fim do ano passado. "A frustração veio do desempenho do segundo e do terceiro trimestre do ano", diz Donato.
 
Segundo ele, isso resultou de um choque negativo de confiança, fruto da incerteza eleitoral, da frustração com o desempenho da economia ao longo do ano e da greve dos caminhoneiros em maio. "O lado positivo é que, caso de fato se confirme que haverá a aprovação de reformas e a economia volte a crescer com mais consistência, as contratações represadas podem ocorrer com mais intensidade ao longo do ano que vem", acredita o economista.
 
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