Notícias
09/12/2013 - 02h15
Empresas estão cada vez mais exigentes sobre competências de seus funcionários
Fonte: O Globo

Não importa a cidade ou o país. Hoje, as empresas fazem mais exigências sobre as competências de seus funcionários do que faziam há cinco anos. Esta é a percepção de 86% dos profissionais que participaram do estudo global “Escassez de habilidades – relatório trimestral de mobilidade, confiança e satisfação no trabalho”, feito pela Randstad entre 17 de julho e 5 de agosto deste ano, em 32 países, inclusive o Brasil. De acordo com os dados do relatório, especialmente funcionários na China (94%), Brasil (93%), Malásia (93%) e Espanha (91%) pensam desta forma. Já os húngaros não sentem esta mudança (66%) tão fortemente.
Entre as os fatores de exigências destacadas por esses profissionais estão habilidades digitais (TI e mídias sociais) com 86%, habilidades sociais (relações interpessoais) com 73%, educação (76%) e experiência (76%). Já os brasileiros acreditam que, hoje, habilidades sociais (89%), habilidades digitais (92%), educação (93%) e experiência (90%) são mais importantes do que cinco anos atrás. E sentem que, no futuro, estes quatro componentes se tornarão ainda mais importantes para seus empregos.
Com relação ao futuro, 76% dos profissionais pensam que as exigências de trabalho vão se tornar mais duras nos próximos cinco anos. Especialmente na China (93% ), Índia (92%), Malásia (91%) e Brasil (91%), os funcionários esperam que nos próximos anos as suas exigências de trabalho vão se tornar maiores. Na Espanha (57%) e Dinamarca (62%), os entrevistados sentem essa tendência com menos força.
Diante dessas colocações, o estudo buscou saber quem, na opinião dos entrevistados, é o responsável por garantir que as habilidades e competências dos empregados correspondam às exigências de trabalho. A maioria deles pensa que isso é uma responsabilidade compartilhada entre empregadores e empregados.
Já o Brasil é o único país onde os funcionários veem uma maior responsabilidade para eles mesmos do que para as empresas quando se trata de preencher a lacuna entre as competências e exigências de trabalho. Ao responderem se achavam que a responsabilidade era dos empregadores, 76% acharam que sim, enquanto 24% não concordavam com tal afirmativa. No entanto, ao serem questionados se os empregados é que eram responsáveis por garantir que suas habilidades e competências correspondem às exigências de seus trabalhos, 86% concordaram e apenas 13% discordaram.
Esta tendência, segundo Vivian Dib, diretora da Randstad Professionals, é menos percebida entre profissionais da Geração Y, que acreditam que as empresas têm, sim, grande responsabilidade de proporcionar os meios para que seus funcionários se qualifiquem e desenvolvam as habilidades que atendam às exigências das organizações e do mercado em geral.
Preocupações para o futuro
Apesar do fato de que, mundialmente, 92% de todos os empregados afirmarem que fariam tudo para satisfazer as suas necessidades de trabalho, com as mudanças ocorridas ao longo dos últimos cinco anos e as expectativas para o futuro, um terço de todos os empregados (34%) que participaram do estudo temem que não sejam mais capazes para atender às necessidades de trabalho no tempo requerido.
Esta preocupação de não cumprir exigências do trabalho é mais alta no Japão (60%), algo notável se levarmos em conta o fato de que os japoneses são, ao mesmo tempo, os menos dispostos a fazer qualquer coisa para satisfazer as exigências de trabalho (57%). Especialmente os homens japoneses têm medo de não cumprir os requisitos (64% contra 56% das mulheres), enquanto eles estão mais dispostos do que as mulheres a agir sobre as exigências (61% versus 53%). O mesmo vale para os trabalhadores mais jovens versus os mais velhos: jovens trabalhadores japoneses têm mais medo de não cumprir exigências de trabalho, enquanto os mais velhos estão mais dispostos a fazer algo para se manterem atualizados.
O estudo mostra ainda que, mesmo depois de algumas quedas nos últimos trimestres, a confiança dos trabalhadores finalmente aumentou. Na Suécia, Argentina, Japão, Malásia e Estados Unidos, a confiança em encontrar um emprego equivalente ao atual aumentou. Já na Alemanha, Hungria e Índia, a confiança aumentou quando se trata de encontrar um trabalho diferente. No Brasil, também parece existir uma mudança positiva no nível de confiança que as pessoas têm em encontrar um emprego equivalente. No terceiro trimestre de 2013, o nível de confiança aumentou pela primeira vez depois de mais de um ano de declínio. Entre os brasileiros, a expectativa de conseguir um emprego como o atual dentro de seis meses está em 65%, e a parcela que espera conseguir um emprego diferente está em 62%.
— A postura que o profissional tem em relação à oferta de emprego está muito relacionada à questão econômica. Essa visão mais positiva é verificada nos países onde a crise foi superada e a economia começa a mostrar sinais de recuperação. Há cinco, sete anos, aqui no Brasil, o profissional fazia tudo para manter seu emprego. Hoje, não tem mais essa necessidade, ao contrário da Europa, onde a crise persiste em muitos países. Com uma economia mais estabilizada, o profissional fica mais seguro para reivindicar, e as empresas têm se preparado para isso também.
Segundo a especialista, embora haja uma exigência maior por parte das organizações em encontrar um profissional mais qualificado e manter esses talentos, verifica-se uma preocupação das empresas com relação a diferença de gerações, em como fazer com que todos pensem igual, ao mesmo tempo que tentam atender às expectativas de seus colaboradores, independentemente da idade.
Vivian ressalta que o objetivo desse tipo de estudo é verificar as tendências e os aspectos que impactam o mercado de trabalho e conhecer o sentimento dos profissionais em relação a esses fatores:
— Assim, saberemos quais são as exigências do mercado, quem as empresas procuram, e qual o profissional que vai atender ao perfil exigido. E podemos fazer o match perfeito, atendendo tanto às empresas quanto aos trabalhadores.
O estudo da Randstad é realizado on-line, entre profissionais de 18 a 65 anos de idade, com uma jornada de no mínimo 24 horas por semana em um trabalho remunerado (não independente), nos seguintes países: Argentina, Chile, Alemanha, Itália, Nova Zelândia, Espanha, Reino Unido, Austrália, China, Grécia, Japão, Noruega, Suécia, EUA, Bélgica, República Checa, Hong Kong, Luxemburgo, Polônia, Suíça, Brasil, Dinamarca, Hungria, México, Cingapura, Holanda, Canadá, França, Índia, Malásia, Eslováquia e Turquia.