Notícias
21/09/2017 - 08h35
Endividamento tende a estagnar consignado
Fonte: DCI
Com alto comprometimento de renda, consumidor ainda utiliza produto para reorganização do orçamento. Uso do FGTS como garantia e volta do varejo, porém, impulsionarão a linha em 2018


O crédito consignado deve ter "momento de limbo" neste ano, com o endividamento das famílias ainda alto no País. Para 2018, porém, melhora econômica e o aprimoramento do uso do FGTS como garantia podem impulsionar uma alta de 15% nos empréstimos.
Mesmo diante dos últimos dados do Banco Central demonstrando um aumento nos empréstimos da modalidade, com alta de 20,8% em julho ante igual mês de 2016 (de R$ 10,489 bilhões para R$ 12,671 bilhões), o alto comprometimento da renda das famílias trará uma perda de dinamismo no consignado.
"Apesar de o mercado continuar apostando muitas fichas nesse produto, a retomada é muito devagar. Infelizmente, é o endividamento das famílias que alavancou o crescimento e isso precisa mudar", afirma a diretora do Sicoob Central Rio, Nabia Jorge, acrescentando o cenário pontual de alguns estados - como é o caso do Rio de Janeiro - que também impossibilitam um avanço maior da linha. "Esperamos por uma regularização."
Já de acordo com o vice-presidente da Zetra, Flávio Náufel, por isso, tanto o ano de 2016 quanto o de 2017 mostraram crescimentos inferiores ao projetado.
"A estimativa era de aumento de 18%, situação que não se consolidou", explica o executivo e pondera que a despeito da trajetória de queda dos juros e da melhora dos indicadores, as operações ainda podem ficar "estagnadas" até o final deste ano. "Há uma demora para fazer o repasse das taxas e ainda há bastante lentidão quanto a melhora dos indicadores econômicos", acrescenta Náufel.
Assim, ainda que a Selic alcance os 7% ao fim de 2017, com inflação controlada, o desemprego ainda alto e o consumo cauteloso tendem a ser obstáculos para um aumento na demanda do produto.
Informações do BC sinalizam que, na comparação de julho contra igual mês de 2016, os calotes na modalidade subiram 0,3 pontos percentuais (p.p.) para os servidores públicos (de 2,2% para 2,5%) e 0,2 p.p. para os beneficiários do INSS (de 1,7% para 1,9%).
A inadimplência do setor privado foi a única que demonstrou queda de 0,9 p.p. no período, de 5,4% para 4,5%.
"No dia a dia, a perspectiva do consumidor continua ruim e o impulso por financiamentos demora a vir. Mesmo quem recorreu à familiares para conseguir o consignado, a expectativa pelo futuro limita a demanda nesse cenário", diz o professor de economia da Universidade Presbiteriana Mackenzie Pedro Raffy Vartanian.
"O movimento ainda é de reorganização financeira, mas isso deve mudar aos poucos e essa deve ser a linha que mais crescerá em 2018", completa o superintendente executivo de produtos à pessoas físicas do Santander, Eduardo Jurcevic.
Potencial
Na mesma perspectiva para o ano que vem, os especialistas consultados pelo DCI ponderam que a linha voltada para os trabalhadores do setor privado é a que demonstra maior potencial, principalmente diante de medidas do governo.
"O consignado com garantia do FGTS, por exemplo, ainda é algo que será bastante trabalhado e deve trazer avanços na linha para o setor privado. A expectativa para 2018 é de alta de 15%", comenta Náufel.