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03/03/2016 - 08h29

Escoamento da safra pelos portos do Norte começa a ganhar força

Fonte: Datagro / InfoMoney 
 
Custo logístico de escoamento do Centro-Oeste via Arco Norte é US$ 50 e US$ 60 a tonelada, enquanto o transporte pelo porto de Santos é de US$ 130 a US$ 140 por tonelada
 
 
O escoamento da safra agrícola de grãos, oriunda do principal polo produtor do País – a região Centro-Oeste – começa a ganhar terreno pelos terminais portuários das regiões Norte e Nordeste. Hoje, a maior parte da produção de soja e milho do Brasil Central ainda é transportada por caminhões até os portos do Sul, especialmente Santos (SP) e Paranaguá (PR), a um custo estimado entre US$ 130 a US$ 140 por tonelada.
 
Por sua vez, o custo logístico de escoamento do Centro-Oeste via Arco Norte recua para entre US$ 50 e US$ 60 a tonelada. A produção brasileira de soja deve ultrapassar, pela primeira vez, a marca de 100 milhões de toneladas na safra 2015/16, e o milho segunda safra deve alcançar cerca de 58 milhões de toneladas, apontam os mais recentes dados da Agroconsult. 
 
Ao analisar estas estimativas, a Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec) projeta que as exportações de soja, por exemplo, também deverão ser recorde, podendo chegar a 57 milhões de toneladas. “E nesse cenário, os portos do Norte e Nordeste serão os grandes responsáveis pelo escoamento desse montante extra”, afirma o diretor-geral da entidade, Sérgio Mendes.
 
Desafio
 
Esta é uma boa notícia, mas, de maneira geral, o cenário da infraestrutura logística ainda é preocupante, avaliam especialistas. Segundo a Associação Brasileira de Logística (Abralog), o Brasil gasta em torno de 30% a 40% a mais na distribuição de produtos em relação a países que contam com infraestrutura logística adequada.
 
“A falta de estrutura compromete a competitividade do País, que precisa investir em intermodalidade”, assinala Edson Carillo, vice-presidente da entidade. O problema, diz o dirigente, é que com a arrecadação em queda, o governo federal dispõe de menos recursos para custear projetos de infraestrutura, necessitando do apoio da iniciativa privada. “A situação se agrava pelo excesso de intervenção estatal na definição de regras, o que cria entraves e gera insegurança para o investidor”.
 
Vicente Abate, presidente da Associação Brasileira de Indústria Ferroviária (Abifer), ressalta que é preciso destravar a segunda parte do Programa Nacional de Investimentos em Logística. Segundo dados do Ministério do Planejamento, a segunda etapa do programa previa investimentos em torno de R$ 198,4 bilhões para concessão de rodovias; construção, modernização e manutenção de linhas férreas; arrendamentos no setor portuário; e ampliação dos aeroportos. Porém, o atraso nos leilões planejados para este ano, vem comprometendo a retomada do programa.
 
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