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07/10/2016 - 13h57
Ex-empregados das Páginas Amarelas sofrem sem pagamentos
Fonte: O Globo
Trabalhadores esperam receber direitos desde 2007, quando empresa fechou as portas


Os ex-funcionários da Editora Páginas Amarelas enfrentam um drama desde que a empresa encerrou suas atividades em novembro de 2007 quando seu controlador, o Grupo Gilberto Huber, decretou falência, o que gerou uma enorme massa falida. Desde então, os ex-funcionários tentam receber na Justiça os valores a que têm direito.
— Desde antes da falência, quem foi demitido já não recebeu os direitos. É o meu caso. Eles não depositavam o Fundo de Garantia e não pagavam 13º. Isso era uma cultura no Grupo Gilberto Huber, que vivia fechando suas empresas e abrindo outras sem pagar os direitos dos trabalhadores — conta Jorge Brito, 51 anos, ex-representante de vendas das Páginas Amarelas.
O valor a ser recebido por cada ex-funcionário varia, mas o teto é de R$ 57 mil, o equivalente a 150 salários mínimos na época. Esse montante só será atualizado se sobrarem recursos.
A prefeitura de São Paulo deve ao grupo uma quantia que será usada para quitar as dívidas deixadas pela empresa. Recentemente, parte desse dinheiro foi depositado pela prefeitura. Desde então, os ex-empregados buscam informações de como será o pagamento.
A Justiça já pediu a unificação das contas da empresa para saber exatamente quanto já foi depositado, para dividir os recursos entre os credores, porém esse processo ainda não foi concluído. Um dos motivos para a demora é a greve dos bancos, que dificulta determinadas transações bancárias.
O advogado que foi nomeado como administrador da massa falida, Asdrubal Montenegro Neto, informou que vem trabalhando diariamente no processo e está fazendo o possível para que os credores sejam pagos o mais rapidamente possível. Segundo ele, no momento falta a homologação do quadro de credores e a informação do Banco do Brasil relativa à unificação das contas da empresa falida.
— Existem várias contas judiciais do Banco do Brasil que precisam ser unificadas para sabermos a quantidade de dinheiro que existe para ser rateado. O banco ainda não atendeu ao pedido, é preciso ter um valor. Estamos aguardando sair essa resposta para poder fazer o rateio — informou o advogado.
A ordem de pagamento dos credores respeita as determinações da Lei de Falências. Os credores habilitados a receber estão listados no processo e não se resumem aos ex-empregados. A própria União é credora, porque a empresa não repassava ao INSS as taxas descontadas do salário do empregados.
A preocupação dos ex-funcionários é que acabem não recebendo o que lhes é devido.
— O processo já está correndo há dez anos. Tem muita gente envolvida nessa história, inclusive entre a lista de credores, nós temos medo de não receber esse dinheiro. Antes não pagavam porque não havia dinheiro, agora o dinheiro apareceu e continua demorando — queixa-se Brito.
O administrador da massa falida, no entanto, garantiu que não existe essa possibilidade.
— As pessoas estão um pouco impacientes e com medo de não receber, mas podem ficar tranquilos. A empresa está falida, não sofre ingerência, só quem tem acesso ao que vai ser feito com o dinheiro sou eu e juiz, não existe a menor possibilidade de o pagamento não ser realizado. Mas é preciso aguardar o tempo do processo, que é longo — disse o advogado.
Em São Paulo, o Sindicato dos Publicitários do estado representa uma grande parte dos ex-funcionários e realiza reuniões periódicas para passar informações do processo. Nos outros estados, as pessoas procuram manter o contato através das redes sociais para se manterem informadas. O processo pode ser consultado pelos interessados na através do site do Tribunal de Justiça de São Paulo (http://www.tjsp.jus.br/).