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09/04/2014 - 02h17

Ex-presidente da CUT vai dirigir Federação Mundial de Sindicatos

Fonte: Valor Econômico / Portal Força Sindical



O ex-presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT) João Felício (PT) foi escolhido por unanimidade para presidir a maior federação internacional de sindicatos do mundo, a International Trade Union Confederation (CSI), que reúne as maiores centrais sindicais das Américas, Europa e África e representa 180 milhões de trabalhadores.
 
Em entrevista ao Valor PRO, serviço de informação em tempo real do Valor, Felício disse que a escolha foi fortemente influenciada pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, (PT), tanto pelo apoio dado em uma carta recomendando a candidatura como eleição de Lula à Presidência em 2003.
 
"Conseguir eleger um operário à Presidência da República é uma grande novidade internacional para europeus, asiáticos e americanos. Não tem paralelo em outros países e levou o movimento sindical brasileiro a ser inspiração fora do país, ao sair de uma pauta muito corporativa, ligada apenas ao mundo do trabalho, e participar ativamente da vida política do país", disse Felício.
 
A candidatura foi lançada em 2012 pela CUT, que buscou consolidar o apoio de outras duas grandes centrais sindicais brasileiras, a Força Sindical e a União Geral dos Trabalhadores (UGT). O apoio de Lula ocorreu em 2013, quando Felício estava em campanha para convencer as centrais africanas e europeias a aderir à candidatura.
 
A decisão foi tomada em reunião realizada em Bruxelas, na Bélgica. Felício, que foi presidente do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp) e o primeiro presidente não metalúrgico da CUT, será também o será o primeiro latino-americano a presidir a CSI, posto hoje ocupado pelo alemão Michael Sommer.
 
O cargo é o segundo na hierarquia da entidade, responsável por fazer a parte política e afinar o discurso das centrais. O dia a dia da CSI é tocado pela secretária-geral, Sharan Burrow, que vai ser reeleita para um mandato de mais quatro anos. A eleição será referendada em Congresso da federação, a ser realizado entre os dias 18 e 23 de maio em Berlim.
 
Segundo Felício, o foco da gestão será estimular a participação dos sindicatos além da pauta trabalhista. "Essa combinação que sempre soubemos fazer no movimento sindical brasileiro - entre a pauta trabalhista e a luta para mudar o Brasil - é a experiência que queremos levar para a CSI", diz. Segundo ele, haverá pressão por reformas importantes - trabalhista, tributária, agrária e a democratização dos meios de comunicação.
 
Para ele, o atual cenário de desconfiança com a economia do país não afetou sua candidatura. "Crescemos apenas 2% no último ano, mas a maioria dos países da Europa cresceu menos. E, com as reformas que achamos importantes para o país, tivemos grande aumento do salário médio no Brasil, uma situação de praticamente pleno emprego. São conquistas do movimento sindical brasileiro", afirma.
 
A CSI foi criada em 2006 pela fusão da Confederação Internacional de Sindicatos Livres (CIOSL) e da Confederação Mundial do Trabalho (CMT). São 311 entidades afiliadas em 155 países e territórios, com as maiores centrais sindicais dos Estados Unidos, Europa e de alguns países da Ásia, como o Japão. Entre as centrais mais relevantes do mundo só estão de fora as chinesas, que não participam de nenhuma entidade internacional.
 
Felício deu a entrevista por telefone durante viagem de trem entre Bruxelas e Frankfurt. Uma greve dos funcionários da companhia aérea Lufthansa fez com que o voo do sindicalista para o Brasil fosse transferido da Bélgica para a Alemanha.
 
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