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05/09/2014 - 02h34

Extrovertidos e meticulosos acima dos 30 anos ganham mais, aponta estudo

Fonte: Folha de S. Paulo

Traços específicos de personalidade podem ter grande impacto na renda dos trabalhadores após os 30 anos de idade.
 
Essa é uma das conclusões de um estudo recente da pesquisadora Miriam Gensowski, da Universidade de Copenhague, que foi apresentado em São Paulo nesta terça-feira (2), em seminário da Fundação Itaú Social.
 
O trabalho de Gensowski reforça uma linha de pesquisa sobre o efeito das chamadas habilidades não cognitivas, que tem ganhado fôlego. Esse campo olha além da inteligência medida pelo QI.
 
Ganhou força com estudos do Nobel de Economia James Heckman – com quem Gensowski estudou e trabalhou na Universidade de Chicago –, que buscam identificar e mensurar o impacto de traços de personalidade, como extroversão e amabilidade, sobre o desempenho escolar.

 
O estudo de Gensowski se soma a outros que têm dado um passo além da escola e analisado também o mercado de trabalho.
 
O insumo usado pela economista é uma pesquisa iniciada entre 1921 e 1922 pelo psicólogo Lewis Terman com crianças de alto QI nascidas por volta de 1910.
 
A base de dados resultante da chamada "pesquisa de Terman" tem a vantagem de ter sido alimentada durante várias décadas até 1991, com atualizações constantes sobre a vida dos participantes (856 meninos e 672 meninas).
 
Gensowski decidiu, pela primeira vez, tentar estabelecer uma relação entre os salários dessas pessoas quando chegaram à vida adulta e características de sua personalidade (registradas com base em análises de professores e pais, assim como em autoavaliações).
 
Segundo a autora, para os homens, características como meticulosidade e extroversão têm impacto positivo significativo nos salários. E o efeito aumenta conforme o grau de escolaridade.
 
Homens um degrau mais conscienciosos do que a média com, no máximo, o ensino superior aumentaram seus ganhos ao longo da vida em US$ 233,3 mil.
 
Para aqueles com a mesma característica, mas nível de escolaridade maior (no mínimo mestrado), a renda extra foi de US$ 571,6 mil.
 
Cada degrau equivale ao que se chama em estatística de um desvio padrão, usado para medir distâncias dos resultados em relação à média.
 
"É possível que homens com maior escolaridade estejam em melhor posição para escolher as profissões que valorizem mais seus traços de personalidade", disse Gensowski à Folha.
 
A autora também encontrou efeitos positivos da extroversão sobre salários.
 
AMÁVEIS DEMAIS
 
Já a amabilidade teve impacto negativo sobre a renda dos participantes da pesquisa, o que indica que talvez pessoas com essa característica sejam menos agressivas em barganhas salariais ou escolham profissões com remuneração mais baixa.
 
Homens mais neuróticos tendem a ter perda salarial se possuem, no máximo, ensino superior, mas não são "punidos" em termos de rendimentos caso possuam escolaridade mais elevada.
 
Para Gensowski, uma das suas principais descobertas foi o fato de o efeito da personalidade sobre a renda só se materializar após os 30 anos.
 
"Talvez características de um funcionário, como extroversão e meticulosidade, tenham maior impacto sobre a produtividade de uma empresa uma vez que ele atinja uma posição hierárquica mais alta", diz a economista.
 
MULHERES
 
Os resultados da pesquisa de Gensowski para as mulheres de alto QI acompanhadas pela pesquisa Terman são mais inconclusivos e ruidosos.
 
Para a autora, isso se explica pela inserção muito menor das mulheres da geração analisada no mercado de trabalho. Mas ela acredita que, se o experimento fosse repetido atualmente, o resultado seria semelhante ao encontrado para os homens.
 
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