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29/05/2013 - 03h05
Falta de estrutura para armazenagem de grãos é obstáculo para exportação
Fonte: Agência T1

A infraestrutura dos portos é normalmente acusada de ser o principal obstáculo para o Brasil ser um país competitivo na exportação de grãos, mas o problema tem mais uma variável. A capacidade de armazenagem para o escoamento das safras não é suficiente para o tanto que é produzido no país.

A infraestrutura dos portos é normalmente acusada de ser o principal obstáculo para o Brasil ser um país competitivo na exportação de grãos, mas o problema tem mais uma variável. A capacidade de armazenagem para o escoamento das safras não é suficiente para o tanto que é produzido no país.
Conforme a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) é preciso uma ação conjunta de investimento do setor agrícola e governo na construção de armazéns e silos, aproximadamente R$ 10 bilhões para que haja a quantidade necessária de locais de estocagem. Nos últimos cinco anos, apenas R$ 7 a R$8 bilhões foram investidos.
Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a capacidade de armazenagem do Brasil é de 121 milhões de toneladas, considerando apenas os espaços destinados a granéis, os mais comuns para estocar soja, milho e trigo, que correspondem a aproximadamente 90% da produção total do país. Em época de supersafra, a quantidade de grãos chega a 185 milhões de toneladas, registrando uma defasagem de 64 milhões de toneladas.
Não basta apenas investir em infraestrutura de portos, afirmou o diretor da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), Aluísio de Sousa Sobreira. “Se as vias de escoamento não são ideais, se os investimentos não acompanham, evidentemente que o gargalo é gerado. E se o gargalo é gerado e você não tem como armazenar, esse grão é como água, ele vai parar no porto e vai causar todos os transtornos que você tem.”
Sobreira defende que uma das soluções possíveis seria investir em unidades armazenadoras nas fazendas produtoras. De acordo com ele, propiciaria a comercialização da produção em maior período, evitando as pressões naturais do mercado na época da colheita, economia do transporte, “já que os fretes alcançam seu preço máximo no pico da safra”, e também a diminuição das filas nos terminais de exportação.
Outra sugestão do diretor seria que o Governo Federal, em conjunto com os Estados, passe a tomar suas decisões através de ações sistêmicas com visão integrada, considerando desta forma o processo logístico como um todo e não com ações isoladas e desconexas. Um dos caminhos seria aplicar recursos racionalmente e oferecer dispositivos e benefícios com incentivos aos investimentos privados, por meio de politicas públicas consistentes.