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31/07/2017 - 06h29
Fibria está pronta para fazer oferta por Eldorado
Fonte: Valor Econômico


Maior produtora mundial de celulose de eucalipto, a Fibria está pronta para apresentar uma oferta pela concorrente Eldorado Brasil, controlada pela J&F Investimentos. A companhia brasileira já calculou sinergias e o impacto financeiro de uma eventual aquisição, mas insiste que, apesar de ter condições de pagar um preço que considera justo, não fará uma proposta que afete demais seu balanço ou o retorno aos acionistas.
Mas, no momento, a chilena Arauco segue com direito de exclusividade na negociação - de 45 dias, desde 16 de junho -, garantido após uma oferta não vinculante de quase R$ 14 bilhões em 16 de junho. As tratativas devem se estender até a próxima semana e a Fibria afirma que está monitorando o movimento de suas pares, justamente por causa do período exclusivo dado aos chilenos.
"Entendemos que não existiria uma preferência firmada. A decisão desse jogo de xadrez está nas mãos dos acionistas da Eldorado", disse o presidente da Fibria, Marcelo Castelli, em teleconferência com jornalistas para comentar os resultados do segundo trimestre.
O executivo reiterou o interesse na Eldorado destacando que há muitas sinergias. As duas companhias têm fábricas na cidade de Três Lagoas, em Mato Grosso do Sul e uma combinação das operações traria ganhos nas áreas florestal, industrial, de suprimentos, de logística, via redução de pessoal e refinanciamento de dívidas - a Fibria ainda não considera sinergias comerciais por desconhecer a base de clientes da Eldorado. "Nossa visão é clara de que existe um valor máximo, se formos fazer uma oferta, a ser colocado na mesa. Esse valor máximo agrega valor ao acionista da Fibria", afirmou.
Segundo o diretor de finanças e relações com investidores, Guilherme Cavalcanti, a aquisição poderia ser financiada apenas com dívida - sem necessidade de aumento de capital e sem comprometer demasiadamente a alavancagem financeira. A expectativa, que está sujeita a condições de preços da celulose e câmbio, é que a Fibria chegue a dezembro com alavancagem financeira medida pela relação entre dívida líquida e Ebitda da ordem de 3,5 vezes em dólar, dentro dos limites estabelecidos pela política da companhia.
Com o início da operação da nova linha em Três Lagoas, em setembro, a tendência é de aceleração da desalavancagem para menos de 2,5 vezes em dólar no fim do ano que vem. "Isso significa que, para o fim do ano que vem, é possível absorver uma empresa como a Eldorado e ficar abaixo de 3,5 vezes", comentou. "É um cenário muito provável absorver essa compra somente com dívida".
O segundo trimestre, disse Cavalcanti, marcou o início da desalavancagem financeira da Fibria, que está investindo US$ 2,3 bilhões no projeto de expansão. De abril a junho, esse índice ficou em 3,75 vezes em dólar, frente a 3,79 vezes em março. "Essa queda mostra uma importante reversão de tendência. Houve um pico no primeiro trimestre e já iniciou a redução no segundo trimestre, antes mesmo da partida da nova fábrica", disse.
A Fibria teve prejuízo líquido atribuível aos acionistas da companhia de R$ 262 milhões no segundo trimestre, revertendo lucro de R$ 743 milhões um ano antes, apesar da melhora no desempenho operacional. A perda é explicada pelo efeito negativo da alta de 4% do dólar no fim de junho sobre a parcela da dívida que está denominada em moeda estrangeira.
Sob o aspecto operacional, a recuperação dos preços da fibra curta no mercado internacional e o aumento do volume comercializado ajudaram o balanço. De abril a junho, a receita líquida subiu 16% na comparação anual, para R$ 2,78 bilhões, enquanto o Ebitda ajustado ficou em R$ 1,07 bilhão, com crescimento também de 16%.
A expectativa para o mercado global de celulose no segundo semestre é positiva, de acordo com o diretor comercial e de logística internacional da companhia, Henri Philippe Van Keer, uma vez que a demanda tem se mantido firme num momento em que, tradicionalmente, há alguma desaceleração e os estoques tanto nos compradores quanto na própria empresa estão baixos.
"A demanda está na faixa alta da expectativa em julho e a gente não tem dúvida de que, uma vez que os clientes não tenham estoques ou eles estejam baixos, quando vier o movimento de retomada forte no fim de agosto ou início de setembro, isso deve mais do que compensar a entrada de capacidade da Fibria", afirmou.
A produção de celulose de eucalipto da companhia no segundo trimestre totalizou 1,33 milhão de toneladas, alta de 3% na comparação anual. Já o volume de vendas, que foi recorde para o período, subiu 14%, para 1,53 milhão de toneladas, impulsionado principalmente pelo acordo comercial com a Klabin. No intervalo, o volume de vendas proveniente desse contrato totalizou 202 mil toneladas. Os estoques de celulose encerraram o trimestre em 52 dias.
Depois do pico verificado no início do ano, o custo caixa de produção de celulose da Fibria entrou em rota decrescente e ficou em R$ 660 por tonelada no segundo trimestre, praticamente estável em relação aos US$ 662 por tonelada verificados um ano antes. Frente aos três primeiros meses do ano, houve baixa de 12%. A tendência é de queda nos próximos trimestres.