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14/11/2013 - 01h49

Filme retrata o histórico sequestro do Maersk Alabama por piratas da Somália

Fonte: FalaSantos
 
 
Novo filme do diretor britânico Paul Greengrass é um maravilhoso thriller que reconstitui o sequestro de navio cargueiro estadunidense em 2009. Com excelentes atuações e forte conteúdo realístico, Capitão Phillips é forte candidato ao Oscar 2014
 
Para quem já conhece o diretor Paul Greengrass de outros carnavais – especialmente do formidável Voo United 93 (United 93, EUA, 2006) – é até simples perceber certas características recorrentes nos melhores trabalhos do britânico – câmera na mão, cortes por cima de cortes, diálogos desesperados etc. Entretanto, é forçoso admitir: Paul sabe mexer com as emoções do público.
 
Capitão Phillips (Captain Phillips, EUA, 2013) é um filme que pode desagradar a quem não gosta de ver os Estados Unidos por cima da carne seca, mas é impossível não empatizar com as personagens principais da história, baseada em fatos reais descritos no livro Dever de Capitão (lançado no Brasil pela editora Intrínseca): O capitão Richard Phillips (Tom Hanks, há tempo merecendo bons papéis) e o pirata somali Abduwali Musei (Barkhad Abdi, em brilhante desempenho). Phillips é um homem rígido, como convém a um homem da sua posição, que faz questão de colocar a ética do trabalho acima de tudo, mesmo que isso implique riscos para seus subordinados; Musei é mais um dos milhões de africanos que, diante da miséria que marca o continente onde o ser humano deu os seus primeiros passos, decide mudar sua vida de maneira drástica. Sua ética também é profissional, embora dentro dos limites que o crime impõe.
 
O destino desses dois homens tão diferentes – mesmo em termos físicos, vide o nítido contraste entre o robusto Phillips e o raquítico Musei – se cruza na crítica zona geográfica da costa leste africana, onde atos de pirataria são comuns. Ignorando a perigosa aproximação das lanchas dos inimigos, o capitão norte-americano expõe toda a tripulação do Maersk Alabama à ação do bando criminoso. Premido por tal circunstância, o capitão decide reverter a má situação, sentindo todo o peso e solidão da sua responsabilidade para com os homens sob seu comando.
 
Já o líder do agrupamento pirata parece não ter muita habilidade com relação ao seu papel e muito menos a experiência do grisalho marinheiro mercante yankee. Dentre seus subordinados, escolhe garotos inexperientes e um psicótico que, pouco a pouco, disputa o poder com Musei, desequilibrando a já caótica situação. A falta de bom senso de Phillips (que subestimara a ação dos criminosos) e dos invasores – que recusam os U$$ 30 mil encontrados no cofre do Alabama desencadeia a ação errática dos piratas, que decidem fugir no baleeiro salva-vidas do navio levando Richard consigo.
 
A angústia aumenta porque, pressionado, o governo norte-americano decide impedir que os criminosos somalis levem Phillips à Somália, onde o imbróglio político seria ainda maior, mobilizando tropas de elite da marinha para o resgate. As vidas de todos à bordo do pequeno e abafado baleeiro estão por um triz, entre as exigências absurdas e as discussões entre os sequestradores e o dever que os marines têm de resolver o impasse da melhor maneira possível.
 
Forte candidato ao Oscar do próximo ano, Capitão Phillips não é apenas um filme exaltação a já nem tão superpotência assim estadunidense. Se temos um aparato técnico/estético dos mais sofisticados – incluindo navios reais e filmagens em alto mar – podemos também vislumbrar momentos onde as relações político-econômicas injustas entre os países hegemônicos e as nações destroçadas sob todos os aspectos podem ser traduzidas em diálogos como o de Phillips e Musei: Há outras formas de se ganhar a vida além de sequestrar e roubar (Phillips). Talvez na América, irlandês (Musei). Em jogo onde já se conhecem previamente os vencedores e os vencidos, não há clima para vitória. Todos são perdedores.
 
Ficha Técnica
 
Captain Phillips
EUA, 2013
Diretor: Paul Greengrass
Roteiro: Billy Ray (baseado no livro A Captain’s Duty: Somali Pirates, Navy SEALS, and Dangerous Days at Sea, de Richard Phillips e Stephan Talty)
Elenco: Tom Hanks, Catherine Keener, Michael Chernus, Barkhad Abdi, Barkhad Abdirahman, Faysal Ahmed, Mahat M. Ali
134 minutos
14 anos
Sony Pictures
 

Leia reportagem da época
 
Fonte: Gazeta do Povo - 08/04/2009
 
Tripulantes retomam controle de navio cargueiro sequestrado no Oceano Índico
 
Os 20 tripulantes controlam o navio e tentam negociar a libertação do capitão. Porta-voz do Pentágono informou que o destróier Bainbridge está a caminho da embarcação
 
Os tripulantes do Maersk Alabama, cargueiro com bandeira americana sequestrado na costa da Somália nesta quarta-feira (8), retomaram o controle da embarcação, mas o capitão continua sendo mantido refém de quatro piratas em um bote salva-vidas, informou a empresa dinamarquesa proprietária do navio, que trabalha com o departamento de Defesa dos EUA. No momento, os 20 tripulantes, todos americanos, controlam o navio e tentam negociar a libertação do capitão, enquanto aguardam a chegada de um navio militar dos EUA.
 
"Estamos tentando oferecer a eles o que podemos, comida, mas não está funcionando muito bem", disse um dos tripulantes à rede de TV CNN - Um navio de guerra da coalizão (dos EUA) estará aqui aproximadamente três horas. Estamos tentando mantê-los afastados até que a ajuda chegue.
 
A tenente-coronel Elizabeth Hibner, porta-voz do Pentágono, disse que o destróier Bainbridge está a caminho - não há detalhes sobre a distância que o separa do Maersk Alabama.
 
Segundo os relatos, não há feridos entre os tripulantes que ficaram no navio, que ia do Djibouti para Mombaça, no Quênia, levando ajuda humanitária - basicamente alimentos - às população de Somália e Uganda.
 
O navio foi capturado a cerca de 500 quilômetros da costa da Somália, região onde a pirataria é disseminada. Essa foi a primeira vez que piratas somalis fizeram cidadãos dos EUA como reféns.
 
"Há uma força tarefa presente na região para deter qualquer tipo de pirataria, mas o desafio é muito grande. É difícil de monitorar o tempo todo", afirmou o porta-voz, tenente Nathan Christensen.
 
De acordo com especialistas, os piratas, que costumavam atacar mais perto do litoral, estão mudando sua estratégia e atuando em mar aberto, para tirar vantagem de dezenas de milhares de milhas quadradas não patrulhadas.
 
O Maersk Alabama é o sexto navio sequestrado na região em uma semana. Autoridades explicaram que, por causa do mau tempo, os ataques dos piratas diminuíram no início do ano, mas agora, com a melhora, voltaram com força.
 
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